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Influenciadores digitais? #WTF


Tenho notado que o termo influenciadores digitais é aplicado em situações muito diferentes e isso pode causar certa confusão. Desde personalidades da web já reconhecidas pela grande massa, até um usuário muito ativo nas redes, mas desconhecido pela mídia, ambos são denominados como influenciadores digitais. Não discordo, mas faço algumas ponderações.

Afinal, se a intenção é designar um youtuber que já conquistou uma grande audiência a ponto de chamar a atenção da imprensa e hoje é reconhecido pelo seu trabalho, alcançando uma visibilidade que vai além das redes, prefiro categorizá-lo como um formador de opinião. Assim como um colunista, um ator, um esportista, etc. Para que um termo novo? Só pelo fato de emergir das redes merece um termo novo?

O fato é que todo influenciador digital não deixa de ser um formador de opinião, mas gostaria de reservar esse novo termo para destacar determinadas pessoas que mereciam mais atenção daqueles que trabalham com comunicação.

Penso que influenciador digital é um termo que caberia melhor para identificar aquelas pessoas que fazem parte de um nicho muito específico e; dentro deste grupo, possuem um volume de conexões superior à média das pessoas que pertencem à esse nicho.

Se olharmos para o nicho dos fãs de uma séria televisiva, há sem dúvida alguns que são mais ativos nas redes sociais e ajudam a disseminar para todo o grupo as novidades da série. São estes os influenciadores digitais.

Sob o ponto de vista da empresa, o influenciador digital pode ser qualquer integrante da relação dos stakeholders, desde o perfil nas redes sociais de um consumidor do produto como de qualquer outro influenciador (um funcionário, investidor, ativista, etc).

Mas você notou uma sutileza? Ele influencia um nicho pois através de ferramentas de monitoramento foi possível identificar seu potencial como “hub” daquela rede, no entanto, ele não precisa ter um volume de seguidores que se assemelha a números de veículos de massa.

Vou exemplificar: apesar de muitos marqueteiros discordarem de mim, Gabriela Pugliesi e Felipe Neto não são influenciadores digitais. Podem ter sido no passado, mas hoje são verdadeiras personalidades reconhecidas pelo público e pela imprensa. Sendo assim, podemos considerá-los formadores de opinião. Na sua função de “creators”, produzem freneticamente um grande volume de conteúdo que interessa e influencia um determinado grupo social, porém é importante frisar que suas famas já extrapolaram esse grupo e atingiram uma popularidade que vai além dos seus respectivos públicos.

Como produtores de conteúdo para uma canal, cada um possui seu “media kit” e fecha contratos com empresas para falar de determinado produto, assim como faz qualquer ator famoso ou jogador de futebol. São personagens do mundo do entretenimento que influenciam a opinião da massa. São portanto influenciadores claro, mas para simples diferenciação, prefiro colocá-los na categoria dos formadores de opinião.

Já os influenciadores digitais são aquelas pessoas que desconhecemos pois não fazem parte da nossa rede de interesses e nunca foram citados numa reportagem da imprensa de massa. Para identificá-los, é preciso fazer um trabalho minucioso de monitoramento dos rastros digitais de determinado nicho de mercado. Um trabalho que demanda uma estrutura que poucos estão preparados para realizar.

Assim, chego no cerne da minha problemática: a falta de visão sobre um novo cenário, ou a simplificação desse cenário para encaixá-lo num modelo antigo de trabalho. Em geral, agências de publicidade só sabem trabalhar eficientemente com influenciadores que na verdade são esses produtores de conteúdo já profissionalizados. Aqueles que estou de fato categorizando como influenciadores digitais, ficam restritos a ações de agências de reputação e relações públicas. Cada um no seu quadrado. Publicidade e Relações Públicas.

Queremos manter essas caixas restritas dessa forma? Eu não. A inovação parte da exploração de um formato híbrido em que o profissional de publicidade trabalha em conjunto com o profissional de relações públicas.

Digo isso, pois deveríamos entender que hoje, nessa “era das redes”, os consumidores são parte da engrenagem de um processo de comunicação em que a questão da “propagabilidade” é fundamental e ela flui somente se soubermos identificar “hubs” (influenciadores digitais) de determinado público-alvo, e por fim, tratá-los como consumidores que são e não como “espaços de mídia”. Eles não são celebridades da web. Não possuem “media kit”. Não adianta chegar neles com um proposta de “post patrocinado”.

Podemos claro, realizar ações de publicidade que envolvem a participação de formadores de opinião oriundos do meio digital como Gabriela Pugliesi e Felipe Neto, mas não deveríamos nos limitar somente a eles. Assim como não deveríamos limitar aos influenciadores digitais as mesmices dos press kits de assessoria de imprensa.

Sabe aquelas ações de publicidade muito inovadoras, em que você vê uma pessoa “normal” passando por uma experiência incrível? E se, ao invés de escolhermos a pessoa “normal” através de uma agência de casting, fosse realizada uma pesquisa minuciosa nas redes para selecionar consumidores reais do produto e que também fossem bastante ativos nas redes? Que tal trocar o ator/modelo de casting por alguns consumidores reais (influenciadores digitais)? Que tal trocar a estética pela transparência com o consumidor? Fica a dica.


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Publicado originalmente no "youPIX", em 29/06/2016.

Ação com influenciadores das redes para o lançamento do Zenfone 2


Para o lançamento do Zenfone 2 da Asus, foi criada a campanha "Fenômeno Z" que conta com - entre outras peças de comunicação, um hotsite: fenomenoz.com.br.

Além da ação de lançamento propriamente dita, uma parte da campanha envolveu também uma ação teaser nas redes sociais: hoje (19/08/15), um dia antes do lançamento oficial, as redes sociais, principalmente o Instagram, amanheceram repletas de publicações com formato muito parecido: todas anunciando o novo produto.

Um número razoável de personalidades e influenciadores das redes foram convidados a publicar posts todos muito semelhantes: uma foto selfie com a caixa do produto na mão, mostrando que ganharam de presente o produto para avaliação. No texto, todos também ressaltavam os mesmos diferenciais: a câmera de 13MP e se tratar do único smartphone com 4Gb de RAM. Todos os posts seguiam com as hashtags #zenfone2brasil e #fenomenoz.

Particularmente não gosto da padronização criada para o conteúdo dos posts. Acredito que tirar o caráter de "propaganda" e deixar cada um escolher como envolver o produto em seus posts soaria mais natural e menos disruptivo.

De qualquer forma, entendo que a ação foi capaz de gerar uma boa repercussão por convidar todos a publicarem no mesmo dia e período, o que ajudou a garantir o impacto de mídia e a frequência desse impacto.




Fotos do consumidor no rótulo da cerveja


A cerveja belga Vedett resolveu imprimir fotos enviadas pelos consumidores no verso do rótulo das garrafas.

A mecânica é simples: no site da marca o consumidor envia a foto e algumas são selecionadas para estampar os lotes de cervejas. Depois, basta aguardar pra descobrir se a sua foto estará nas prateleiras dos supermercados. Quem preferir pode mandar imprimir rótulos e receber em casa.


A estratégia vem de encontro com a teoria que fala sobre a influência dos meios de comunicação no comportamento da sociedade. Hoje, nossa sociedade consome informação de uma maneira diferente do que a sociedade da era da televisão. Naquela época, éramos mais "passivos" no consumo de mídia.
Com o advento do meio digital, fomos estimulados a interagir com o meio para alcançar a informação que desejamos. Passamos então a ter um comportamento um pouco mais "ativo" e interativo em relação ao consumo de informação. Essa atitude ativa e participativa não se dá apenas no meio digital, ela contamina todos os demais meios.

De fato, esse comportamento vai além do consumo de informação, ela alcança também outros aspectos como por exemplo, o relacionamento entre marcas e consumidores e daí surgem ações como essa, em que a comunicação da marca na internet promove interferências efetivas no rótulo do produto. È a interatividade que acontece no meio digital construindo uma ponte com o mundo real através do rótulo do produto. Uma estratégia bastante interessante.


Oreo envia carta personalizadas pra promover o #FizComOreo


Um dos artifícios para criar as tais pontes com o cotidiano do consumidor que costumo comentar é a construção de um discurso personalizado durante o processo de comunicação.

Isso é possível não só no meio digital, mas também no meio impresso, apesar de claro, bastante trabalhoso.

Esse foi o caso de uma comunicação em recebi da Oreo para promover sua campanha #FizComOreo.



Recebi em casa uma caixa que continha objetos para compor um cenário com o biscoito Oreo com o propósito indireto claro, de compartilhar as fotos na rede sociais. Porém o cuidado do texto da carta é um diferencial importante, lá dizia:
"E a vida de pai de primeira viagem? Incrivelmente apaixonante, né? Já que Oreo é o biscoito (ou bolacha?) mais amado do mundo, torcemos para que você se divirta igual a uma criança (e juntinho com seu filho) enquanto se prepara para mais um projeto pessoal".
Ou seja, a carta mostra conhecimento sobre minha vida, sabe direcionar o discurso e traz um brinde que a princípio, não faz parecer que é aleatório, mas que foi escolhido por conhecer um pouco do meu cotidiano.

Cada pessoa selecionada para essa campanha recebeu uma carta diferente e também objetos diferentes para fazer suas fotos e depois espalhar  pelas redes com a hashtag #FizComOreo.

A photo posted by Jean Boechat (@jampa) on





A photo posted by Nerd Rabugento (@castrezana) on



“A Mídia Social acabou” foi só uma frase de efeito



Dita por Marcello Serpa no Wave Festival, a afirmação chama a atenção dos que ainda pensam que ações nas redes sociais não dependem de uma boa verba.


Recentemente, pude comprovar que a limpeza promovida pelo Facebook em sua plataforma, causou efetivamente algum impacto nas páginas das marcas brasileiras mais atuantes nas mídias sociais. A página do Guaraná Antarctica por exemplo, chegou a perder mais de 1 milhão de curtidores.

A partir de dados fornecidos pela SocialBakers para o Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP, ficou claro que durante o mês de Março, todas as 10 marcas brasileiras com mais curtidores no Facebook tiveram queda no número total de fãs. O Facebook diz que a limpeza eliminou somente perfis de usuários inativos. Em média, essas páginas analisadas sofreram uma queda de 3,5% da sua base total de fãs.

Algumas marcas chegaram a perder quase o dobro disso, dentre elas, Skol e Guaraná Antarctica. Não há como identificar claramente a razão dessa perda bem acima da média. Talvez, simplesmente por se tratarem de marcas pioneiras no Facebook. Mas sem dúvida, esse dado é um pano pra manga. Os mais duros e ácidos utilizarão essa informação para sugerir (sem provas concretas), que em algum momento da história dessas marcas, houve uso de estratégias ilícitas para inflar o número de fãs da marca.

O fato é que a base de curtidores de todas as marcas presentes no Facebook a partir de agora, contam apenas com usuários ativos. Esse cenário pode até aumentar em breve, o índice de engajamento da marca com seus usuários e melhorar seus resultados na plataforma.

Sendo assim, a mídia social não morreu. Essa foi só uma frase de efeito que Marcello Serpa utilizou durante sua apresentação no Wave Festival 2015. O que ele buscava com essa afirmação, era chamar a atenção de diretores de marketing atrasados, que ainda pensam que ações envolvendo redes sociais não dependem de uma boa verba. Não é assim. Para impulsionar uma campanha nas redes é preciso um plano de mídia online. Hoje, a propagação “espontânea” de campanhas publicitárias depende de um impulso programado. Isso é fato. Afinal, é de propaganda que estamos falando, oras.

Se algo morreu, foi o pensamento ingênuo de alguns marqueteiros que acreditavam que sucesso no Facebook era ter 1 milhão de fãs. Hoje já sabemos que a estratégia de propagação em rede é muito mais complexa do que isso e pouco passa pela necessidade de um canal único com audiência de massa.

É preciso lembrar que além dos formatos tradicionais de propaganda, há o outro lado da plataforma, o lado social e espontâneo. Esse é o lado desafiador para quem trabalha com comunicação atualmente. Entender o pensamento em rede é o desafio daqueles que foram criados no pensamento em massa. Serpa sabe muito bem disso.

Tanto sabe, que fez uso de uma estratégia clássica: frases de efeito para causar polêmica e chamar a atenção. Deu resultado. No portal do Meio e Mensagem, a reportagem sobre sua palestra teve uma repercussão espontânea infinitamente superior a todas as demais reportagens da cobertura do evento. Mídia Social morreu? Acho que não.

Ele também sabe que a campanha “Ice Bucket Challenge” para a entidade americana ALS Association ganhou uma proporção maior do que o público alvo estipulado, justamente por conta da eficiente repercussão espontânea nas redes sociais. O pesquisador americano Henry Jenkins confia no conceito de “propagabilidade” o sucesso de campanhas como essa. Eu também. A quem trabalha com comunicação, sugiro a leitura do seu livro “Cultura da Conexão”.

Nem por isso, deixo de acreditar que Mídia Social depende - e muito - de verba de mídia para ter sucesso. Não são coisas excludentes. Redes Sociais devem fazer parte de uma estratégia de comunicação que envolve obviamente, um plano de mídia. Estratégia de rede trabalhando em harmonia com estratégia de massa.

É importante que fique claro: Mídia Social não nasceu só por conta do advento das redes sociais. Ela é fruto do surgimento de uma sociedade mais consciente e crítica em relação à publicidade. Uma sociedade que não consome propaganda ingenuamente. Trata-se de uma sociedade que antes de comprar, pesquisa e avalia não só a qualidade do produto, mas também o histórico da empresa. Ela quer conhecer e se aproximar da marca para ganhar confiança e então, comprar. É a mídia da era da conversação.

No futuro, o Facebook pode até morrer, mas as mídias sociais continuarão por aí, Serpa sabe bem disso.




Crédito da imagem: André Valentim (para o Meio e Mensagem)
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Publicado originalmente na coluna "Opinião" da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXVII, núm.: 1657, pág. 08. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 27/04/2015.


O app da Bud Light que oferece serviço + experiência


Em Washington (EUA) a Bud Light começou uma campanha de comunicação que envolve o lançamento de um app para celular com serviço de delivery de cerveja. Trata-se de um serviço premium, pois as entregas são realizadas em até uma hora e além da cerveja, o consumidor ganha "algo a mais" que pode ser desde um brinde até uma experiência completa.

Profissionais de comunicação podem considerar interessante essa estratégia pois a oferta de um app para celular não é novidade, já se sabe que é preciso oferecer algo bastante relevante para convencer a instalar o app da marca no celular do consumidor. Porém o interessante é que o app não só oferece o serviço de delivery premium, como também será provavelmente utilizado para geração de diversos videos "virais" que apresentam consumidores reais vivendo experiências impactantes promovidas pela marca. Ao espalhar esses videos, a marca amplifica essa ação e consegue atingir um público ainda maior do que o aplicativo em si conseguiria atender.

Aliás, essa estratégia de promover e registrar experiências impactantes vividas por consumidores reais é algo que a marca realiza há algum tempo.

Em 2014 foi essa a temática do comercial que rodou durante o Super Bowl:


E para o evento deste ano que acontece em fevereiro, a marca já publicou um video teaser que traz uma narrativa semelhante:






Panóptico Social: vigiados pelos próprios amigos


O avanço tecnológico ampliou as possibilidades de controle e vigilância. Máquinas de vigilância são implantadas em ambientes públicos e privados. Em cada esquina, em cada portaria ou em cada quarto de bebê.

Esse cenário já foi apontado faz tempo. O filósofo francês Michel Foucault utilizou a arquitetura de uma prisão para explicar o princípio do panóptico, em que é possível instalar nas pessoas o sentimento de constante vigilância sem necessariamente ver quem o vigia. O modelo do panóptico não estaria presente só na prisão, mas também em hospitais, escolas, fábricas etc. Ele chamou esse modelo de “sociedade disciplinar”, pois fora desenhada para moldar a sociedade conforme interesses do poder maior.

Mais recentemente, Zygmunt Bauman lança a ideia de pós-panoptico e de vigilância líquida para explicar a sociedade contemporânea. No pós-panóptico não há mais qualquer necessidade de um olhar centralizador para nos sentirmos vigiados. Não podemos mais ver claramente os pontos de vigilância. Somos controlados e vigiados a cada movimento. A disciplina se dá a partir da disposição do próprio ser. Deixar-se vigiar é uma questão de segurança própria.

Bauman é responsável pela ideia de modernidade líquida. Ele vai dizer que valores importantes para a sociedade como amor e privacidade não possuem mais uma definição tão sólida como em outros tempos. Claro, os valores são definidos e redefinidos ao longo do tempo, mas na sociedade contemporânea, ele entende que os conceitos são agora mais voláteis, maleáveis. Chegam a ser banalizados. O amor não é mais sólido. É líquido. Eu diria que hoje, há espaço para “diversas formas” de amor. Ama-se qualquer um. Ama-se qualquer coisa. Ama-se muito tudo isso.

Nesse contexto nasce também a ideia de vigilância líquida em que questões como anonimato e exposição são constantemente discutidas justamente por serem noções instáveis, flexíveis. Ele vê a big data como uma fonte inesgotável para a vigilância líquida, pois todo e qualquer rastro de uma pessoa é passível de ser identificado e capturado a qualquer momento.

Um bom exemplo foi o caso Snowden. Em 2013, Edward Snowden foi personagem importante do cenário político mundial por tornar público um projeto americano de vigilância digital. Snowden participava de um projeto que coletava informações privadas de emails e diversos outros rastros digitais de importantes políticos internacionais.

Note que há por trás um Estado exercendo o poder de vigilância não somente sobre uma nação, mas sobre todo o espectro global. Apesar dos conceitos propostos serem bastante amplos, é possível ver que no discurso de Foucault e Bauman há sempre um estado ou uma instituição exercendo o controle e a vigilância.


Panóptico Social

Interessa-me nesse momento, levantar outra vertente sobre o controle da sociedade em que faço uso da evolução do pensamento explicitada nesse texto - que nasceu em Foucault e se desenrola até Bauman - para lançar a ideia de panóptico social.

Não pretendo desmerecer a extrema importância de atentarmos para os mecanismos de vigilância existentes na era digital que propiciam o controle onipresente do estado sobre o povo, mas deixo essa responsabilidade para Bauman e seus seguidores.

O termo panóptico social vai em outra direção; quer realçar um cenário em que a sociedade exerce um papel de autocontrole e vigilância, desenhado a partir de um movimento concomitante da evolução da tecnologia digital e o advento das plataformas de relacionamento.

De um lado, surgem os dispositivos que permitem filmar, identificar, registrar e rastrear dados sobre si próprios. Do outro, surgem plataformas que permitem a essas pessoas, compartilhar essas informações com seus pares. Note que há aqui, portanto, um diálogo importante entre a disposição pela exposição da sociedade e o desenvolvimento de plataformas de redes sociais.

Assim como na proposta de pós-panóptico de Bauman, já não existe mais a referência arquitetônica, pois tanto não há espaço físico, como não há um centro de vigilância. São apenas publicações em redes sociais. Ainda assim, há a constante impressão de ser vigiado.

Porém, quando utilizo o termo panóptico social quero ressaltar o poder estabelecido pela própria sociedade de controle sobre si, sem uma referência a um poder político ou religioso.

No panóptico social, é a própria sociedade que começa a definir seus limites. Isso é visível nos comentários que acompanham todas as publicações feitas diariamente pelos usuários nas redes sociais.

Ela colabora com a construção - em tempo real - de uma noção de moral e ética que é latente o maleável, por isso, vai de encontro com a proposta da sociedade líquida de Bauman.

As redes sociais são agentes desse apoderamento da sociedade. É a partir delas que um usuário comum exerce sua tarefa de vigilância sobre os atos dos seus “amigos”.  É sobre esse leito que estamos redefinindo a noção de privacidade, por exemplo.

Farei uso de um exemplo. Considere o fenômeno recente conhecido como “selfie”. O ato de registrar uma imagem fotográfica de si próprio e publicá-la na internet é um movimento natural de uma sociedade narcísica. Apesar da cultura de cada povo ter uma aceitação diferente para esse ato, pode-se dizer que se trata de um fenômeno global.

Além da publicação, há ainda dentro desse fenômeno o interesse pela propagação dessa imagem. Vê-se, portanto, que a disposição pela exposição é um conceito bastante importante e constantemente discutido.

O selfie mais famoso e mais compartilhado até agora aconteceu durante a cerimônia de premiação do Oscar 2014, nos EUA.

A apresentadora e comediante americana Ellen DeGeneres chamou alguns atores que estavam na plateia para fazer uma foto ao estilo “selfie”. Na sequencia, convocou a sua audiência para propagar a imagem pelo Twitter. Em menos de 45 minutos a imagem foi compartilhada mais de 1 milhão de vezes. No dia seguinte, já eram mais de 2 milhões de compartilhamentos.

Porém, engana-se aquele que vê esses números e pensa que a noção de exposição e o fenômeno do selfie é algo completamente aceito e estabelecido. No contexto do panóptico social, há sempre usuários prontos para criticar e a partir disso, reacender a discussão coletiva sobre as bases morais e éticas desse fenômeno.





Ambientes Digitais X Espaços Físico
O que acontece na rede se desenrola no cotidiano da sociedade, também fora da rede. Não podemos esquecer que o mundo digital que construímos não está descolado da realidade. Ele é apenas um espelho que amplifica e torna visível aspectos - algumas vezes pouco evidentes -  de nós mesmos.

Um exemplo para clarificar é o caso da professora carioca que publicou em seu perfil no Facebook uma foto criticando a roupa de outra pessoa que estava no mesmo ambiente que ela.

Mais uma vez, um exemplo típico do panóptico social em ação. O curioso deste caso é que a imagem propagou de tal maneira que chegou até o próprio indivíduo que aparece na foto, que por sua vez, ameaçou abrir um processo jurídico contra a autora da imagem. Assim, reacende a discussão sobre privacidade e como disse, reafirma minha tese de uma sociedade que está em constante reformulação de seus limites.

Claro que a renegociação das relações e valores de uma sociedade é um movimento constante e natural, porém na sociedade contemporânea, o surgimento das plataformas digitais não só acelerou esse processo, como tornou visível.


Anonimato
Para finalizar, é importante observar que o panóptico social está diretamente associado a um contexto em que a privacidade e a exposição são conceitos amplamente discutidos sendo muitas vezes, incompreendidos e banalizados.

Em tempos de panóptico social, o anonimato ganha status de luxo. Torna-se desejo de consumo. É bem provável que os novos produtos de consumo venham amarrados à ideia de anonimato. Logo veremos ganhar popularidade, plataformas sociais que lidam com a relação entre exposição e anonimato. Uma "exposição anônima".

Há algumas experiências nesse sentido como as plataformas Secret, WUT e Whisper. Eu ficaria de olho nessa tendência.

Manter-se anônimo dentro ou fora da rede sempre foi um desejo daqueles que lidavam profissionalmente com a exposição excessiva. Agora que vivemos num mundo em que todos já alcançaram seus 15 minutos infindáveis de fama, o anonimato torna-se um recurso escasso e objeto de desejo.



Sugestões de leitura complementar:

  • CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
  • CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: A era da Informação. 18ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
  • FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão; tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Ed. Vozes, 2007. 
  • ZYGMUNT, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
  • ZYGMUNT, Zygmunt & LYON, David. Vigilância líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2014. 


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Publicado originalmente no "Update or Die", em 02/08/2014.

Esse post vai fazer você chorar


Ou melhor, vai nada. Aqui não tem nenhum depoimento emocionante nem foto de um desastre. De fato, dificilmente você vai chorar com meu texto mas ainda assim, espero muito que você leia até o fim.

Desta vez resolvi aproveitar meu espaço no UoD para fazer um alerta e uma crítica a essas estratégias de marketing apelativas que tomaram conta das redes sociais. Alguns profissionais de midias sociais inexperientes e sem formação alguma estão desmoronando todo o trabalho que outros bem intencionados construíram ao longo dos últimos anos. Humanizar uma marca e inserí-la na conversação das redes sociais não é fácil.

Não somos mais crianças brincando no playground das redes sociais. Quem é do ramo já sabe, por exemplo, que não vale nada ter uma grande audiência no Facebook se o seu engajamento é nulo. Pena que poucos diretores de marketing assimilaram isso ainda. Bom, mas isso é outro assunto.

Estamos todos querendo descobrir estratégias para garantir que nossos posts sejam lidos e gerem alguma forma de interação (curtir, comentário ou clique no link). O meu incômodo é que na busca desenfreada pelo engajamento, muitos apelam para o dramalhão descontextualizado (algo parecido com o que fiz no título desse post).

Apelação emocional ou imagens polêmicas tornaram-se fórmula de sucesso nas redes. Posts sensacionalistas. Faz-se de tudo para você clicar e curtir. Parem com isso, por favor!

Quem faz isso em geral está em busca do resultado imediato. Quer mostrar ao chefe um relatório com bons índices de retorno de engajamento da fan page, mas pouco está preocupado com o branding da marca. Falso engajamento. Ao publicar somente posts de piadas que de fato são bem humoradas, mas completamente desconectadas com o posicionamento e os valores da marca, o tal produtor de conteúdo para mídias sociais nem imagina o estrago que faz na imagem da marca a longo prazo. Piada pode, mas quando tem aderência com a marca e/ou o produto.

O profissional que opta por essa estratégia do “likes a qualquer custo” não tem compromisso com a empresa onde trabalha. Outro problema desses novos tempos: são poucas as pessoas que hoje possuem muitos anos dentro da mesma empresa. Se o profissional não tem qualquer expectativa de construir uma carreira dentro da empresa onde trabalha, qual razão de se preocupar com a imagem da marca a longo prazo?

Veja portanto que o buraco é bem mais fundo. Minha crítica passa pelas estratégias de conteúdo para mídias sociais mas tem como base algo maior: os parâmetros que definem o compromisso do profissional com a marca da empresa e não apenas com a entrega imediata de resultados superficiais.

Faz parecer aquele grande veículo da imprensa brasileira que na sua página do Facebook publicou algumas vezes posts com imagens e frases sensacionalistas, estratégia descarada para gerar cliques no link para a notícia no portal online. O profissional responsável pela presença digital deste veículo de notícias nem imagina o quanto está prejudicando uma marca que tem uma imagem séria e compromissada com o leitor.

Precisamos amadurecer e ganhar responsabilidade, ou então muito em breve, perderemos a credibilidade. Ninguém entra numa rede social com o propósito de interagir com marcas. Se o faz é porque o assunto interessou. No princípio a piada ou o apelo sensacionalista pode atrair, mas se for completamente descontextualizado, o usuário não vai mais cair na mesma armadilha. Vai acontecer algo parecido com o que ocorre com os formatos tradicionais de propaganda online. Passam desapercebidos.


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Publicado originalmente no Update or Die, em 25/02/2014.

A ansiedade das empresas para sair do Facebook


Pode soar muito pretensiosa a minha afirmação, talvez até polêmica, mas ainda assim vou dizer: provavelmente até o fim do ano veremos muitas marcas saindo do Facebook.

Sob meu ponto de vista, será uma fuga antecipada e desnecessária.

Minha suposição se dá pelo crescente questionamento a cerca da taxa de alcance das publicações no Facebook. Durante uma conversa com um grande amigo do mercado publicitário, questionávamos a decisão do Facebook de entregar as publicações para apenas uma parte das pessoas que acompanham a página da empresa no Facebook. Depois de muita discussão no fim de 2013, o que ficou claro é que não há necessariamente um limite, mas que o alcance “natural” seria entre 10% a 15% do total da base de pessoas que curtiram a página.

Porém, esse índice pode ser pior. Este meu amigo afirmou que sua experiência direta com grandes marcas brasileiras e também o comparativo que fez com outros colegas de agências concorrentes mostra que atualmente as páginas do Facebook só alcançam de 2% a 5% da audiência. Um número muito baixo para quem conseguia até 2013, resultados muito superiores pois não havia o tal algoritmo que limitava a impressão das publicações na linha do tempo dos usuários do Facebook.

Esse assunto logo chegará aos ouvidos dos diretores de marketing dessas grandes empresas e se somará a outro dado: grandes marcas que nos últimos anos investiram muito em produção de conteúdo para fan pages começam a perceber que não é assim tão fácil identificar retorno em vendas.

Não que seja impossível, mas não é assim tão óbvio. E convenhamos, apesar dos marqueteiros acharem bonito falar em branding, no fim das contas o resultado da sua área é sempre colocada em confronto com o resultado em vendas da empresa.

Infelizmente, por conta desse imediatismo e por essa exigência de resultados a curto prazo é que imagino que até 2015 muitas grandes empresas já terão anunciado sua retirada de investimentos em publicidade no Facebook.Esse movimento possivelmente comece nas empresas européias e americanas e posteriormente, no Brasil.

O que pode adiar esse cenário é o bom resultado apresentado pela amplificação dos posts através de investimentos em publicidade do Facebook Ads. Porém, por se tratar de um formato tradicional de propaganda, tenho certeza que em breve o retorno também deve começar a cair.

A saída prematura das grandes empresas representará uma perda de oportunidade para continuarmos a desenvolver a linguagem da publicidade desta nova era.

Afinal, é através dos erros e acertos das agências que hoje trabalham diretamente com mídias sociais que estamos descobrindo o “modus operandi” desta nova publicidade não atua com mensagens disruptivas mas sim, a partir da construção de relacionamento com o consumidor.

O ROE (Return On Engagement) é algo ainda novo que precisa ser melhor assimilado pelas áreas de marketing das empresas e a partir dele conseguir identificar como o engajamento dos consumidores pode refletir nas vendas da empresa.

A mensagem da marca hoje precisa ser transmitida não através de um anúncio de propaganda, mas através da conversação com os consumidores. Isso envolve questões que antigamente já eram relacionadas à área de branding mas que na época nunca chegaram a ter o valor que merecem agora.

Espero que os acontecimentos desse ano não esfriem a motivação das empresas em arriscar e inovar dentro das plataformas sociais. Acredito que o envolvimento das grandes marcas é essencial para impulsionar a evolução da linguagem da publicidade no meio digital.

Lições do Super Bowl 2014 aos publicitários


O intervalo comercial da final do Super Bowl é tradicionalmente, o espaço publicitário mais caro do planeta, e por conta disso, espaço onde se costuma ver (nem sempre) as melhores propagandas e as tendências do mercado. Algumas delas (nem todas) também levam alguns leões em junho, durante o Festival de Cannes Lions.

Esse ano, talvez por conta da crise, não fiquei com a impressão de que os filmes publicitários superaram os filmes de 2013. No geral, a publicidade deste ano foi mais modesta. Ainda assim, o Super Bowl é também um bom momento para provar que o intervalo da televisão dá muito resultado, mesmo na era da internet.

Minha proposta aqui é portanto, identificar as várias estratégias publicitárias utilizadas durante o Super Bowl e também observar as diferentes formas de integração da televisão e o meio digital. Assim, você terá aqui uma boa fonte de referência para utilizar em suas próximas reuniões de brainstorm. Vejamos a seguir as estratégias mais utilizadas:


- O storytelling e a antecipação nas redes
Antes de mais nada, uma importante lição para a publicidade brasileira: nada de repetir o mesmo filme em cada um dos intervalos comerciais do evento. Melhor do que isso: conte uma história; e em cada intervalo, apresente um capítulo do enredo. Ou então prepare vários videos, cada um contando uma boa história e assim, prenda a atenção do espectador a cada intervalo.

A ExxonMobil fez isso. Preparou vários filmes sobre energia a gás e cada um deles foi veiculado em um dos intervalos.







Essa estratégia muitas vezes demanda boa verba para produção dos vários vídeos. E claro, repetir o mesmo comercial não é necessariamente ruim. A redundância é importante para fixar na mente do consumidor. A própria ExxonMobil repetiu mais de uma vez cada um dos seus filmes. Só é preciso evitar que a repetição seja exagerada e acabe incomodando o telespectador.

Outro aprendizado: você pode antecipar na internet o comercial que será transmitido posteriormente na televisão. Afinal, isso não diminuirá a audiência da TV, certo?

Muitas marcas já entenderam isso e passaram a antecipar no Youtube os filmes que seriam veiculados durante a final do Super Bowl. A Coca-Cola foi uma dessas marcas. Ela preparou dois filmes, cada um contando uma história diferente e na semana anterior ao jogo, colocou na internet para estimular a propagação pelas redes.





Mas não esqueça: o mais importante de tudo é ter uma boa história para contar, como fez a Cheerios e a Chrysler.






- A polêmica pré evento:
Sodastream fez uso dessa estratégia. Não propositalmente claro. Na semana anterior à final do jogo, seu filme publicitário (já antecipadamente publicado na web) foi recusado pela FOX para veiculação na TV por citar as marcas concorrentes Coca-Cola e Pepsi. Resultado: uma grande viralização espontânea do filme "proibido" que inclusive, contava com a participação da atriz Scarlett Johansson (ou seja, também é sempre importante ter uma celebridade presente para chamar a atenção).




- Humor: a estratégia que nunca falha
Técnica que nunca saiu de moda e garante resultado seja em qual cultura for. A publicidade só erra quando a piada não tem relação com o diferencial do produto, mas caso contrário, é sempre uma boa opção estratégica para gerar repercussão seja dentro das redes ou fora delas. Foi essa a opção da Volkswagen no Super Bowl de 2014:



A Kia utilizou estratégia semelhante, aproveitando ainda para fazer uma referência ao filme Matrix:



E aqui a Toyota com o comediante Terry Crews e os Muppets:



A Hyundai também usou o humor para mostrar todas as features do novo Elantra:



Daquelas que utilizaram o recurso humorístico, a Audi foi a minha preferida. A campanha começou com um teaser publicado no Youtube na semana anterior ao jogo:



E somente na sexta-feira antes do evento ela mostrou o filme que passou na televisão:





- O toque emocional
Humor não é o único recurso emocional. O drama ou o romance, quando acompanhados de uma história bem contada, também cativam o público. Abaixo o filme da  Budweiser:



Esse próximo da Budweiser, além de conter apelo emocional, também relata uma experiência real, a estratégia que descrevo a seguir.




- Promover experiências reais
Falei disso no post anterior deste blog. A publicidade precisa criar uma ponte com a realidade. Isso pode ocorrer de maneiras diferentes.
No caso da Cheerios, ela usou o intervalo comercial para comunicar um projeto que busca melhorar a qualidade de vida familiar:



No filme da Chevy, a marca convida o telespectador a participar da campanha contra o câncer:




Outra forma bastante eficiente para impactar e envolver as pessoas nos dias de hoje é mostrar outras pessoas, vivendo experiências incríveis, proporcionadas pela marca. Trata-se de uma das vertentes dessa estratégia de criar alguma conexão com a realidade das pessoas.

Nesse caso, pode não interferir diretamente naquele que assiste a televisão, mas fica a expectativa daquilo poder acontecer com qualquer pessoa comum. É o mesmo apelo utilizado pelos programas de reality-show.

A Bud Light fez isso muito bem, e ainda acrescentou várias celebridades na história, dentre elas, Arnold Schwarzenegger. Essa foi a minha campanha preferida desta edição do Super Bowl. Provavelmente deve ganhar alguns prêmios ao longo deste ano.

O primeiro video abaixo, foi o teaser publicado na internet. Os demais são os filmes que passaram na TV e também foram publicados no Youtube, no dia anterior à exibição na televisão:










- Televisão + Redes Sociais (real time marketing)
A marca de iogurte Chobani utilizou a televisão para promover sua história e seu personagem (o urso) e nas redes sociais, publicou vários outros videos, para iniciar uma conversação pública. No Twitter a marca interagiu com celebridades e outras marcas anunciantes.

Esse foi o filme da televisão:



E aqui o vídeo publicado no Youtube e depois replicado no Twitter com uma mensagem direta à cantora Katy Perry:



Durante o jogo a Chobani ficou o tempo todo estimulando a conversação nas redes, citando inclusive outras marcas anunciantes quando o comercial era veiculado na TV:



A Toyota também aproveitou os Muppets para promover uma conversação pelo Twitter durante o jogo:









- Coloboração nas redes
Estratégia adotada pela Doritos já por vários anos. A marca promove todo ano um concurso em que os usuários da internet são convidados a produzir um vídeo de Doritos. O mais votado é selecionado para passar durante o jogo na televisão. Esse foi o ganhador deste ano:





- O tradicional teaser, e nada mais.
Por fim, há aquelas marcas que preferem seguir o modelo mais tradicional de integração entre a televisão e a internet: antes do evento é publicado apenas um video teaser para gerar expectativa para o dia do jogo. O filme principal só é apresentado na televisão, durante o jogo. E somente após a exibição na TV é que o filme principal foi também publicado na web. Quem fez isso foi M&M´s. Aqui vai o teaser:



E aqui o filme que passou na televisão:




- Live Marketing
Para encerrar esse post, deixo a menção honrosa para a Pepsi que além de patrocinar o show do intervalo como fez nos últimos anos, desta vez também distribuiu um gorro com luzes para a plateia e com ele, promoveu um show de luzes coloridas pouco antes da apresentação do cantor Bruno Mars. As luzes eram animadas por computador o que transformou a plateia num grande painel eletrônico onde aparecia o logo da Pepsi, flutuando sobre a plateia.

Nesse video, pouco antes de começar o show do cantor Bruno Mars é possível ver rapidamente a plateia formando um grande mar azul e o logo da Pepsi girando sobre as pessoas.



Caso queira ver não só estes que comentei, mas todos os filmes publicitários veiculados durante o evento, clique aqui e confira no site oficial do Super Bowl.

Ah, claro, faltou  comentar que o jogo terminou com a vitória do Seattle Seahawks sobre o Denver Broncos (43 x 8).

Campanhas que interferem no cotidiano das pessoas


Tenho dito que a publicidade que efetivamente causa impacto nas pessoas e consegue gerar repercussão realmente espontânea (não a repercussão forçada a partir de compra de mídia online) é aquela que consegue criar uma ponte de conexão com a vida das pessoas.

Afinal, somos uma sociedade já muito malhada pela propaganda. Ganhamos expertise suficiente para ignorar mensagens de propaganda. Para transpor essa barreira inconsciente, é preciso elaborar uma nova forma e roupagem para a mensagem publicitária. Ela precisa ganhar relevância como se fala por aí. Por isso campanhas que envolvem o conceito de branded content fazem bastante sucesso.

Para ir além, acredito que as campanhas precisam causar alguma interferência no cotidiano da sociedade. Seja uma interferência direta naquele que consome a mensagem, ou uma interferência que ele veja como benéfica para a sociedade. "Vivenciar experiências" é outro termo que já foi utilizado para designar algo bem próximo do que proponho aqui.

Num post de 2012 eu já falava disso de maneira hipotética. Desta vez cito aqui uma ação publicitária bem simples, mas que ilustra perfeitamente a ideia de ações que causam algum interferência na vida das pessoas.

Já não é tão comum ver no Facebook as pessoas comentando alguma campanha publicitária. Recentemente muitos usuários compartilharam de maneira completamente espontânea, um aplicativo que era parte de uma campanha do produto de limpeza Ajax. Foi desenvolvido pela marca para uma campanha na Australia, mas ganhou repercussão internacional.

Para reforçar o benefício da "limpeza", a marca criou um aplicativo que leva o mesmo nome do produto e promete ajudar o usuário a eliminar da sua timeline no Facebook e Twitter as mensagens de propaganda publicadas por outras marcas que no passado ele aceitou receber. A interface do aplicativo mostra a relação de todas as marcas que o usuário "curtiu" ou começou a "seguir" e ali é possível eliminar as marcas que ele não deseja mais acompanhar.

Ou seja, uma mensagem publicitária que busca oferecer um benefício real para o cotidiano do usuário. Abaixo o vídeo de divulgação do aplicativo.




A Samsung fez algo parecido e criou para os consumidores de celular (um de seus produtos) um aplicativo que tenta evitar acidentes de trânsito silenciando as notificações de mensagens enquanto o usuário está dirigindo:




Outra forma de ver essa ponte com a realidade é através do envolvimento de consumidores reais na construção da mensagem publicitária. Neste caso, o receptor da mensagem pode não realizar uma conexão direta, mas ele consegue ver nitidamente o impacto que aquela mensagem causou numa pessoa comum, como ele. É o caso da campanha muito comentada e compartilhada realizada pela Dove, "Retratos da real beleza".



Nos dois primeiros casos, a mensagem vem em forma de uma oferta de serviço (um aplicativo gratuito). Já na campanha da Dove o impacto vem através do caráter de documentário e/ou reality show do filme publicitário. Apesar de serem maneiras distintas, em ambos, nota-se o cotidiano de pessoas reais sendo modificados por estímulo do anunciante. 


American Apparel coloca modelos nuas no Vine


O Vine é aquela plataforma do Twitter de publicação de pequenos vídeos. Ainda não conseguiu ganhar popularidade, mas o Twitter tem se esforçado na sua promoção. Muitas marcas - principalmente americanas - já estão presentes nessa rede e procurando uma forma de conquistar o interesse do público do Vine.

American Apparel caso não conheça, é uma grande marca de moda americana que possui um histórico de publicidade bastante polêmico, sempre próximo de temas sexuais ou imagens de nudez - quase - explícita, o que garante mídia espontânea.


Dado o histórico, é fácil imaginar qual estratégia uma marca como a American Apparel poderia adotar para buscar audiência dentro do Vine.

Seu canal é utilizado para publicar pequenos videos de modelos apresentando algumas peças da marca. Até então, as modelos chegavam a fazer poses sensuais mas não havia a nudez propriamente dita.




Porém, desde a semana passada, uma nova estratégia - criada provavelmente para gerar polêmica e mídia espontânea - abriu espaço para videos mais - picantes - em que a nudez explícita é parte da narrativa, assim como as peças de roupa.



No aplicativo para celulares, os vídeos que possuem nudez aparecem com uma tela de aviso que antecede as imagens, mas quando você acessa o vídeo pela web, a partir de um link, esse aviso não aparece.
Nos comentários dos videos é possível notar que a estratégia já causou a revolta de alguns dos usuários que incitam o boicote à marca. Conhecendo o perfil da American Apparel, dificilmente eles ficarão incomodados com essas críticas. 













Saiu o relatório Socialbakers: Marcas no Facebook - Brasil Novembro/2013

 O relatório produzido pela Socialbakers sobre a atuação das marcas brasileiras no Facebook comprova aquilo que muitos já estão prevendo: ninguém deve tirar o primeiro lugar do Guaraná Antartica em número de fãs até o final de 2013, porém a Coca-Cola está cada vez mais perto, quem sabe no início de 2014 teremos uma mudança.

O destaque a meu ver fica pra marca de sorvetes Diletto, que cresceu muito (325%) e aparece em terceiro lugar na lista de marcas que possuem alto índice de engajamento em seus posts. Mostra que a marca está investindo bastante em mídias sociais.




CIF convida usuários das redes a deixarem uma mensagem no Cristo Redentor


A partir de sexta (06/12/13) quem entrar no hotsite da campanha de CIF (www.reveleabeleza.com.br) poderá escolher um ponto para aplicar uma estrela sobre o Cristo Redentor virtual e lá deixar uma mensagem de final de ano.

Nos dias 23 e 24 de dezembro a CIF vai transformar essas estrelas virtuais em pontos luminosos que serão projetados sobre o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Quem não estiver no RIO poderá acompanhar o show de projeção luminosa pelo hotsite (www.reveleabeleza.com.br).

Posteriormente, cada ponto registrado sobre o Cristo Redentor virtual também será transformado em um kit de produtos CIF que serão distribuídos para famílias carentes da Cidade de Deus no Rio em parceria com o projeto Mesa Brasil Sesc.




Uma breve entrevista com o autor dos “pedidos musicais”, sucesso do WhatsApp

O esquete "A Vó Do Nelson Come Nuggets" foi fenômeno de repercussão espontânea entre jovens de todo o Brasil.


No post anterior falei da propagação espontânea que os esquetes de “pedidos musicais” alcançaram entre os jovens no Brasil. A repercussão impressionou até mesmo seu criador, o DJ Ivan Davis.

Por se tratar de uma rede de comunicação fechada, o WhatsApp não oferece ferramentas que permitam ao autor dos esquetes acompanhar o alcance obtido com a sua iniciativa de divulgar seu trabalho encaminhando arquivos de áudio através dessa plataforma. Foi uma surpresa para ele, descobrir que pessoas de outros estados estavam compartilhando os esquetes.

Foi em Belém (Pará) que nasceram os esquetes, como parte do programa PacMania da webrádio Chic. O roteiro é sempre o mesmo: alguém ligando para a rádio pra pedir uma música, porém  sem saber inglês, ele canta a música da forma como bem entende.

Ouça aqui o "Melô da Tia Nastácia":


E o mais famoso, "A Vó Do Nelson Come Nuggets":


Considero interessante para quem estuda os processos de comunicação digitais, conhecer o caso do DJ Ivan Davis e o fenômeno de repercussão espontânea ocorrida com seus esquetes de “pedidos musicais”.

Fiz algumas perguntas para entender a visão dele sobre toda essa repercussão, abaixo segue a breve entrevista:

- Desde quando você produz os esquetes do quadro "Pedidos Musicais"?
DJ Ivan: Os esquetes vêm sendo feitos (se não me falha a memória) desde março ou abril de 2013.

- A repercussão dos esquetes através do WhatsApp era parte de uma estratégia de divulgação do seu trabalho?
DJ Ivan: Não! Não foi nada planejado, mas lá no fundo eu tinha um desejo enorme de que isso acontecesse e sempre pensei nisso. Não sou ator nem humorista. Sou DJ! E modéstia a parte,  faço isso muito bem; porém tenho consciência que somente como DJ eu teria mais dificuldade em conseguir esta exposição. As pessoas procuram coisas diferentes.

- Além do WhatsApp, você tinha alguma estratégia de promoção/divulgação do quadro "Pedidos Musicais" que você praticava antes de se tornar conhecido nacionalmente?
DJ Ivan: O quadro faz parte de um programa de webrádio; e é produto de um projeto geek/retrô chamado "PAC" (Para Adulto Curtir). O projeto existe desde janeiro de 2006 e as "estratégias" para divulgação do programa eram basicamente falar dele nas redes sociais, divulgar nas festas e fazer também o caminho inverso: usar o programa pra divulgar as festas. Começamos a soltar no WhatsApp os pedidos musicais pois sabíamos que nem todos estão online no horário do programa pra ouvir as paródias, sendo assim, fiz uma edição simples colocando o esquete acompanhado de uma vinheta divulgando o programa.

- A citação dos seus esquetes no programa do Ricardo Boechat na rádio BandNews FM foi consequência da propagação espontânea nas redes sociais, certo?
DJ Ivan: Sim, claro! O próprio Boechat falou que pessoas próximas a ele recebiam as minhas paródias no celular através de outras pessoas que eu não tenho a mínima ideia de quem sejam (o caminho que as paródias fizeram até chegar nele deve ter sido enorme, mas com a velocidade das coisas, surtiu efeito rápido).
Resumindo: numa manhã que citaram meu nome na BandNews, meu celular tocou umas 50 vezes. Era gente do Brasil inteiro me perguntando sobre os esquetes. Pelas ligações que recebi, notei que o Rio de Janeiro é o local onde a propagação foi maior, seguido de São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Goiânia. Inclusive, as paródias hoje são mais conhecidas nestes estados do que na minha própria cidade.

- Essa repercussão em nível nacional você credita à aparição no programa da rádio BandNews ou à propagação nas redes sociais?
DJ Ivan: Acho que a divulgação nas redes sociais (principalmente o WhatsApp) é o forte da propagação, mas a divulgação do Boechat ajudou muito para apresentar os esquetes a outro público de uma faixa etária mais alta (que talvez nem tenha smartphone). Tenho essa impressão pois a faixa etária das pessoas que me ligaram (por conta do Boechat) era acima dos 40 anos.

- Depois do sucesso espontâneo, você criou um canal no Youtube para amplificar a visualização dos esquetes. Que outras estratégias de propagação em redes sociais pretende adotar?
DJ Ivan: Eu criei o canal no Youtube pois confesso que estava totalmente perdido em relação ao "sucesso" das paródias. Eu queria medir o alcance e a audiência, mas com o WhatsApp eu não conseguia. Agora eu posso medir, pelo menos através do YouTube, o crescimento das visualizações a cada dia. O canal tinha em outubro cerca de 30 mil visualizações. No final de novembro já ultrapassou 300 mil, sem contabilizar os outros canais piratas que estão usando minha voz e publicando também no YouTube, sem dar o crédito.

- Hoje muitas marcas possuem fanpages no Facebook e procuram constantemente conteúdos relevantes e de entretenimento para gerar conversação com seus consumidores. Você acredita que os esquetes do "Pedidos Musicais" poderiam ser utilizadas em campanhas publicitárias dentro das redes sociais? De que maneira você acredita que o "Pedidos Musicais" poderia ajudar uma marca/produto a se promover?
DJ Ivan: Nós já temos a fanpage do projeto PAC, mas muita gente ainda não descobriu. Tenho alterado constantemente as descrições dos posts do YouTube para que as pessoas tenham mais informações a respeito do programa PacMania e também da minha pessoa. Nas paródias citamos nomes de muitas marcas como: Subway, Nike, Danone, entre outras. Eu ficaria muito feliz em fazer uma parceria com alguma delas.



Ações de publicidade no WhatsApp

Cuidado: usar WhatsApp como se usava o SMS denuncia idade.


A propaganda não está presente em plataformas de redes sociais apenas por serem canais de comunicação da moda. Para uma marca, mais do que estar associada às tendências e inovações, o importante mesmo é estar presente no cotidiano do seu consumidor.

E se o seu público-alvo são os jovens, posso lhe garantir uma coisa: a rede social mais utilizada por esses jovens não é o Facebook, Twitter, Google+, Instagram nem Snapchat. É o WhatsApp. Minha afirmação não vem de uma pesquisa qualitativa, trata-se apenas de uma constatação empírica. Ainda assim, não duvido que logo apareça uma pesquisa para comprovar minha impressão.

Um parênteses: se por acaso você acha estranho considerar o aplicativo WhatsApp como uma rede social, é porque você provavelmente, não faz parte dessa nova geração de humanos que nasceram acoplados a um dispositivo de comunicação móvel.

Sinto muito dizer, mas usar WhatsApp como se usava o SMS, apenas para mensagens breves e pontuais, bom, isso denuncia idade.

Jovens utilizam o WhatsApp para mantê-los em contato com seus amigos. Permanentemente. Não importa a situação (até no meio da aula), a hora (até no meio da madrugada) nem o lugar (até no meio da praia).

Eles estão conversando a todo o momento, numa conversa que não tem fim. Podem ser conversas simultâneas com várias pessoas individualmente ou então conversas em grupos. Quando um jovem dessa geração acorda, em seu smartphone já consta uma dezena de mensagens do WhatsApp em espera.

Eles não compartilham apenas mensagens. Enviam fotos capturadas naquela hora e também mensagens de voz ou vídeo. Acredite em mim: eles fazem trabalho da escola em grupo, através do WhatsApp. Caso digno de uma reportagem do Globo Repórter, não?

Publicidade:

Ciente desse cenário, que marca não gostaria de estar presente nesse ambiente? O próprio WhatsApp já deve ter planos para criar formatos de anúncios publicitários, assim como fez o Instagram recentemente. A Luana Hazine identificou outro dia algo que pode vir a ser um teste do WhatsApp para inserção automática de imagens acompanhando determinadas referências, como no exemplo abaixo, quando se digita “globo.com” aparece o logo do portal. Quem sabe uma pequena experiência para em breve lançar formatos de propaganda.


Mas confesso que espaços pré-definidos para propaganda me desanimam um pouco. Primeiro porque isso destrói a informalidade e intimidade do usuário com a plataforma. Num curto período de tempo, começam a surgir sinais de usuários descontentes com a quantidade de propaganda presente na plataforma.

Outra razão é que anúncios pré-formatados minam a criatividade dos publicitários. Esses profissionais acomodam-se nos moldes definidos pela plataforma e não conseguem mais criar  algo original. Algo que seja inovador e gere propagação espontânea dentro dessa rede.

Prefiro o momento que vivemos agora: um caldeirão borbulhante de agências de publicidade repletas de criativos tentando descobrir uma forma de inserir a marca de seus clientes no meio das conversas que rolam diariamente no WhatsApp.

Viral espontâneo:

Quem duvidar que essa plataforma tenha potencial para propagação espontânea é só perguntar para um jovem se ele conhece a música " A Vó Do Nelson Come Nuggets". Vou explicar:

O DJ Ivan Davis é responsável pelo programa PacMania da webrádio Chic (www.radiochic.com.br). Semanalmente ele produz o quadro humorístico “Pedidos Musicais”,  em que o roteiro é sempre o mesmo: alguém ligando para a rádio pra pedir uma música, porém  sem saber inglês, ele canta a música da forma como bem entende.

No YouTube há um canal em que é possível conferir algumas das suas esquetes, mas não foi a partir dessa plataforma que as esquetes fizeram fama. Foi através de arquivos de áudio distribuídos espontaneamente entre os jovens pelo WhatsApp. Muitos deles mal sabem da existência da rádio Chic, mas conhecem muito bem as esquetes.




Imagine aproveitar esse potencial de propagação em uma campanha estrategicamente pensada para promover uma marca. É isso que muitos publicitários buscam atualmente. Por hora ainda são poucos os exemplos de ações de publicidade que usam exclusivamente o WhatsApp na comunicação com o público-alvo, mas há sim alguns exemplos em que a plataforma fez parte da estratégia:

Alguns casos:

A agência W3haus criou para o Dia dos Namorado a ação “Plantão do Amor” de Sonho de Valsa: usuários do Facebook e WhatsApp puderam enviar mensagens solicitando dicas para a comemoração da data. Quem se interessar por esse caso pode ver mais na matéria da revista Proxxima, basta baixar a edição 76. Abaixo um vídeocase produzido pela agência:




Outro caso é a ação de Chivas Regal que criou um canal no WhatsApp onde os consumidores podem conversar com o “barman”, personagem criado a partir de uma campanha anterior. Foi uma estratégia adotada pela agência F.Biz para aproximar os consumidores da marca Chivas.



Além disso, há pequenas experiências realizadas por empresas de diferentes setores em que o WhatsApp passou a ser uma solução de comunicação entre a empresa e seus parceiros, como por exemplo, empresas do setor imobiliário que estão usando o WhatsApp para manter contato com os corretores e estes por sua vez, utilizam a plataforma para enviar informações sobre o empreendimento para seus clientes.

A Nayane Monteiro, de Fortaleza, contou-me que lojas de moda feminina estão utilizando o WhatsApp para enviar para seus clientes VIPs fotos das peças da nova coleção e que essa estratégia gerou bons resultados.

Quando questionei nas redes se alguém conhecia casos de sucesso de aplicação do WhatsApp em campanhas publicitárias, o Sthefan Berwanger enviou-me esse vídeo que mostra a ação criada pela marca de chocolate israelense Klik. Vale a pena assistir para conferir a mecânica. O Blogcitário também comentou esse caso em um de seus posts.




Outra possibilidade:

O fato é que a plataforma possui alguns limitantes em relação à interação entre marcas e consumidores. Antes de mais nada, a exigência de um número de celular obriga a marca a divulgar em algum outra canal esse número de contato. Além disso, essa exigência do número também obriga que a interação seja realizada por um único aparelho celular, o que dificulta a troca de mensagens com um volume muito grande de usuários ao mesmo tempo. Também impossibilita o uso dessa plataforma como um canal de atendimento ao consumidor (SAC).

Ainda assim, uma possibilidade de ação publicitária envolvendo o WhatsApp poderia seguir a seguinte mecânica: primeiramente a marca anunciaria em seus canais de comunicação costumeiros um número de celular exclusivo para conversar com uma celebridade, em determinado dia e hora. Antes dessa data, os interessados em participar devem enviar mensagem solicitando participar de um determinado grupo do WhatsApp.

A empresa poderia então promover conversas em algumas datas e horários agendados, com a presença de uma celebridade que tivesse aderência com a marca. No horário agendado, estariam presentes a celebridade, consultores da marca e o moderador responsável por publicar as mensagens no WhatsApp.

Ao invés de estimular conversas individuais, a celebridade publicaria mensagens no grupo, convidando os participantes a interagirem enviando fotos, vídeos etc. Durante a conversa a celebridade pode comentar as qualidades da marca e dicas do produtos, além de promover rápidas brincadeiras como por exemplo "siga o mestre", como fez a marca de chocolate Klik. Ao final da ação, a marca pode ainda entrar em contato com cada um dos participantes e solicitar seus dados para enviar uma amostra do produto.

Essa é apenas uma ideia possível de aplicação do WhatsApp numa ação publicitária. Provavelmente antes que 2014 de seus primeiros sinais de vida já deveremos ter mais alguns casos realizados. Fique de olho. Logo alguma marca vai pintar no seu WhatsApp.

[update 01/12/13] 

Meu ex-aluno Aldo Bitencourt contou que o jornal "Em Tempo" de Manaus (AM) está usando o WhatsApp para estimular a produção de conteúdo colaborativo com seus leitores. Um número de celular é disponibilizado para que os leitores enviem fotos e informações pelo WhatsApp. Os fatos encaminhados são publicados na fanpage do jornal, como no exemplo abaixo: