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Breves considerações sobre os comerciais do Super Bowl 2017


Confesso que fiquei frustrado. Faltou um tanto da inovação e pioneirismo que eu estava acostumado a ver em edições anteriores.

Mas é compreensível. É preciso entender o nosso momento. Depois de tantas novidades na publicidade, principalmente por conta da popularização das redes sociais e do acesso a dados digitais do consumidor, agora é hora de sedimentar o conhecimento. Rever todas as experiências realizadas e seguir apenas com o que realmente apresentou resultados.

Além disso, é preciso considerar que a crise econômica americana prejudicou alguns anunciantes e para completar, parece que o mundo passa por uma onda de conservadorismo e intolerância que acaba afetando o relacionamento das Marcas com seus consumidores.

Com isso, o intervalo comercial da 51ª edição do Super Bowl não me pareceu excepcional, porém, uma análise geral dos comerciais ainda me permite fazer alguns apontamentos relevantes que ajudam a entender não só o cenário atual mas também para onde caminha a publicidade:

#1 - A força do storytelling
Essa é uma daquelas tendências que se repete todo ano e provavelmente já podemos dizer agora que é fato concreto e indiscutível: num comercial a estrela não é mais o produto ou a marca, mas a história que ela tem para contar. Muitas vezes com um roteiro digno de um curta de cinema ou de um reality show de TV. Nesta edição do Super Bowl, seguiram por esse caminho marcas como Budweiser, Tide e Ford.
Budweiser


Tide


Ford


#2 - O humor e as personalidades
Não se trata de um depoimento. A celebridade está presente não para expor sua experiência, mas para atrair a atenção do público para fazer rir e descontrair pois afinal, TV é entretenimento.
Squarespace.com


Honda CR-V


Bai


#3 - O engajamento social
Há pesquisas que comprovam: consumidores são mais fiéis às marcas que são socialmente engajadas. Hoje uma marca precisa ter voz nas redes e consequentemente, não pode ficar isenta e calada. É preciso deixar evidente seu posicionamento em relação aos fatos do mundo. O consumidor exige isso.
Airbnb


84 Lumber


Hyundai (publicado no Youtube durante o jogo)


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Publicado originalmente no "Update or Die", em 06/02/2017.

Um app que te conecta com pessoas que cruzaram sua vida no passado

Recebi o material de uma nova rede social que está prestes a ser lançada. A promessa é para início de 2017.
Sua interface é baseada em imagens, assim como o Instagram, mas seu mote é o tempo passado e futuro. Seu nome é TimeHi.



Há muito pouco ainda sobre essa nova plataforma. Apenas um perfil no Facebook, outro no Instagram e uma página web de cadastro para ser um dos primeiros a conhecer o app no lançamento.

Me pergunto se há espaço para mais uma rede social. Não é fácil estimular o gatilho que gera o movimento social de migração para outra plataforma. Afinal, o que motivaria a grande massa a trocar o Facebook, o Instagram ou o Whatsapp por outra rede? É preciso criar um desejo que se espalhe e contamine rapidamente todos os usuários.

Eu prefiro acreditar que o espaço para novas redes não está na briga direta, mas na busca por um nicho e uma experiência própria. Assim vejo o esforço do SnapChat, por exemplo. Desenvolveu uma interface própria que, por conta do sucesso, recentemente foi copiada pelo Instagram. Mas antes disso, já havia se firmado entre os jovens, principalmente meninas, que gostam de consumir tudo sobre o tema “lifestyle” e usam o SnapChat para acompanhar o cotidiano das celebridades e influenciadores digitais. Hoje o SnapChat já alcançou mais usuários ativos do que o Twitter.

Neste cenário, minha aposta é que o sucesso de um aplicativo novo como o TimeHi está na sua capacidade de conseguir atingir rapidamente um nicho que se interesse pela proposta da interface e passe a utilizá-la em seu cotidiano. Um nicho, um segmento da sociedade. Não a grande massa como acontece com o Facebook.

É preciso que esteja claro que experiência a plataforma vai proporcionar. No Facebook é o compartilhamento em tempo real de algum fato relevante. Já no Instagram é a exposição das imagens do cotidiano. O SnapChat focou na exposição de videos curtos, relacionados às últimas 24 horas, algo ainda mais intimo. Já o TimeHi, procura não olhar para o presente, mas principalmente para o compartilhamento de imagens do passado e mensagens para o futuro.

É possível publicar imagens e indicar uma data no passado, seja um dia ou 15 anos atrás. Ela será posicionada por ordem cronológica na sua linha do tempo. Além disso, há a expectativa de que, mais para frente, o app conecte as pessoas a partir desses eventos acontecidos no passado. Ou seja, o app vai permitir estabelecer uma conexão com pessoas que cruzaram seu caminho em algum momento no passado. Isso pode interessar muitos, seja para o networking profissional quanto para relacionamentos sociais e amorosos.

As funcionalidades em relação ao tempo futuro também podem agradar: é possível programar que uma publicação seja enviada para alguém (ou para si mesmo) no futuro. Que tal daqui a 10 anos receber um recado do seu “eu do passado”? Ou surpreender alguém próximo com uma mensagem sua?

Os responsáveis por essa plataforma são brasileiros e por enquanto estão criando apenas uma audiência de curiosos, até o app efetivamente sair do forno. Quem quiser ser um dos primeiros a conhecer, é só cadastrar seu e-mail nesse link.

Esse tal de influenciador digital que nunca vi mas sempre ouço falar


Não estou falando de Kéfera, PC Siqueira ou mesmo Danielle Noce e Nah Cardoso. Estes já se tornaram celebridades, como Marina Ruy Barbosa ou Victor e Leo. Talvez a única diferença evidente é que eles produzem conteúdo exclusivo para seus respectivos canais no Youtube. No mais, me parece que — sob o ponto de vista do olhar grosseiro da publicidade — são semelhantes.

Nesse momento sei que esbarro num esforço que muita gente de respeito faz em diferenciar a celebridade do influenciador digital e apesar de concordar com essas pessoas (beijo pra Bia Granja), peço licença para olharmos exclusivamente para o tamanho da audiência impactada e sob esse ponto, colocar todos sob o rótulo de celebridades, afinal como diz a definição, celebridade é aquele que tem reputação bem estabelecida, já possui fama e notabilidade. Seja ele um ator, cantor ou youtuber.

Sendo assim, escrevo esse artigo para evidenciar uma angústia minha e de mais alguns profissionais do mercado que já estão cansados de ver sempre os-mesmos-influenciadores-digitais envolvidos em ações de comunicação com o mesmo formato que a Monange usava décadas atrás.

Meu ponto não passa pela diferenciação do influenciador digital e a celebridade. Quero é evidenciar para o mercado o que a comunicação em rede tem de melhor para oferecer: a propagabilidade quase incessante da informação.

Dentro das redes, um conteúdo valioso não precisa passar na mão de um único ponto com milhares de conexões. Ele pode ser distribuído a partir de vários pontos menores, mas cada um deles, influente dentro de uma determinada comunidade.

São estes pontos que eu prefiro chamar de influenciadores digitais. Também já ouvi usarem o termo micro influenciadores. Eles são pequenos sob o ponto de vista da comunicação de massa, mas possuem um número de conexões que se destaca dentro dos seus respectivos grupos sociais.

Quando olhamos para o engajamento, é possível perceber a eficiência deste influenciadores de nicho. A pesquisa youPix Influencers Market 2016, mostra que no Instagram, os perfis que possuem cerca de 1 milhão de seguidores costumam ter 1,8% de engajamento, enquanto os perfis que possuem somente entre 400 e 500 mil seguidores chegam a 7,8% de engajamento. Quanto menor a audiência, mais segmentada e engajada, porém obviamente, mais difícil de identificar esse perfil entre os milhares de usuários da plataforma.

Esses micro influenciadores digitais que tanto almejamos mas simplesmente desconhecemos, são essenciais para a publicidade que cada vez mais, faz esforço para diminuir a dispersão da mensagem através de uma comunicação extremamente segmentada para, como consequência, conquistar relevância. Também são essenciais para o profissional de relações públicas que em sua função de responsável pela reputação da marca, passou a considerar esses micro influenciadores como importantes stakeholders.

A grande dificuldade está em identificá-los, pois isso significa olhar para os dados. Vasculhar os registros digitais e identificar aqueles que possuem o perfil do público alvo da marca e além disso, possuem um número de conexões acima da média. Nós, profissionais de comunicação, não aprendemos como se faz mineração de dados. É essa nossa nova meta. Vejo muitos profissionais em agências de reputação, relações públicas e publicidade, ansiosos pelo dia em que uma plataforma digital ajude-os a selecionar e identificar os micro influenciadores. Nem sempre um departamento de BI (Business Intelligence) consegue a solução adequada. Este também depende de softwares adequados.

Mas me parece que essa questão logo estará resolvida. Novas plataformas como a Celebryt`s são bons apontamentos disso. Essa plataforma permite que profissionais de marketing identifiquem com facilidade quais canais de Youtube possuem relevância com determinados temas que ele indicar. A interface apresenta a audiência desses canais, sugere o retorno presumido e faz a mediação do contato com o youtuber. Sem dúvida será uma ferramenta importante para sairmos dos-mesmos-youtubers-de-sempre.

Porém, entre os micro influenciadores, estão também aqueles que não possuem canal no Youtube. Neste caso, existem outras plataformas como AirStrip e Stilingue que vasculham todas as plataformas sociais e fazem a mineração dos dados para identificar influenciadores dentro do seu nicho de interesse.

Com a popularização de ferramentas como essas, veremos a publicidade deixar um pouco de lado as celebridades, para trabalhar com “pessoas comuns” que se encaixam no público-alvo e mais do que isso, possuem nas redes uma influência considerável entre seus pares. São esses os até então desconhecidos, mas tão almejados, influenciadores digitais.


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Publicado originalmente no "youPIX", em 26/10/2016.