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Veja a média salarial do mercado ou de uma empresa em particular


Mesmo que você seja da turma que odeia segundas-feiras, acredito que a plataforma Love Mondays vá interessar. O motivo é simples: ela revela dados da relação entre empresas e seus funcionários que até então eram difíceis de ter acesso. Qual o salário médio de um determinado cargo? Quanto uma empresa específica paga para cada cargo? Qual a opinião de quem trabalha lá?



Love Mondays é um ótimo exemplo da revolução que as redes sociais estão promovendo na percepção da nossa sociedade sobre o limite entre o que é público e o que é privado.

Por volta de 2003/2004, o Orkut causou bastante impacto no Brasil por tornar público, entre outras coisas, qual era a rede de relacionamentos de uma determinada pessoa. Revelou um dado que era difícil de ser obtido. Na época, algumas pessoas consideravam essa informação como algo de cunho privado e tiveram resistência em relação à essa invasão de privacidade que as redes sociais propunham.

Love Mondays quer tornar visíveis algumas informações que no mercado profissional nem sempre são obtidas facilmente. Deve promover uma grande revolução na relação entre empregado e empregador, com direito a grande resistência de muitas empresas. Se sobreviver às críticas e processos jurídicos, será considerada daqui alguns anos como uma importante personagem no processo de transparência do mercado.

É uma ferramenta importante para quem planeja sua carreira e está pensando em trocar de cargo e empresa. Estruturada por dados inseridos pelos próprios empregados, Love Mondays tende a ganhar importância e relevância conforme aumenta sua base de usuários. Havendo bastante investimento na divulgação da plataforma, não tenho dúvidas que essa startup brasileira vá causar ainda bastante barulho.




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Publicado originalmente no "Update or Die", em 11/05/2015.

Dias das Mães como ponte de conexão com o consumidor


A propaganda sempre soube aproveitar muito bem as datas comemorativas para envolver emocionalmente o consumidor, mas especialmente nos últimos anos, datas como o "Dia das Mães" servem também para ilustrar como a linguagem publicitária tem procurado estabelecer uma conexão com o cotidiano das pessoas, afastando-se de um paradigma anterior em que a imagem utópica e idealizada era valorizada.

Hoje a publicidade quer de uma forma geral, mostrar a "vida real". Talvez o exemplo mais forte seja a marca Dove que adotou o conceito "Real Beleza", mas se você notar, essa conexão com o cotidiano e com o "mundo real" aparece em campanhas de diversas outras marcas. Às vezes através de experiências realizadas com "consumidores de verdade", outras vezes são filmes tradicionais com atores, mas ainda assim, o roteiro procura reproduzir o cotidiano ordinário, evitando construir um cenário utópico.

Abaixo, algumas das campanhas para o "Dia das Mães" deste ano que ilustram, das mais diferentes formas, essa minha teoria.
E vale a ressalva: note também que esse formato do "depoimento emocional" já começa virar padrão. É preciso experimentar outras formas de estabelecer uma ponte (vínculo) com o cotidiano do consumidor.




















“A Mídia Social acabou” foi só uma frase de efeito



Dita por Marcello Serpa no Wave Festival, a afirmação chama a atenção dos que ainda pensam que ações nas redes sociais não dependem de uma boa verba.


Recentemente, pude comprovar que a limpeza promovida pelo Facebook em sua plataforma, causou efetivamente algum impacto nas páginas das marcas brasileiras mais atuantes nas mídias sociais. A página do Guaraná Antarctica por exemplo, chegou a perder mais de 1 milhão de curtidores.

A partir de dados fornecidos pela SocialBakers para o Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP, ficou claro que durante o mês de Março, todas as 10 marcas brasileiras com mais curtidores no Facebook tiveram queda no número total de fãs. O Facebook diz que a limpeza eliminou somente perfis de usuários inativos. Em média, essas páginas analisadas sofreram uma queda de 3,5% da sua base total de fãs.

Algumas marcas chegaram a perder quase o dobro disso, dentre elas, Skol e Guaraná Antarctica. Não há como identificar claramente a razão dessa perda bem acima da média. Talvez, simplesmente por se tratarem de marcas pioneiras no Facebook. Mas sem dúvida, esse dado é um pano pra manga. Os mais duros e ácidos utilizarão essa informação para sugerir (sem provas concretas), que em algum momento da história dessas marcas, houve uso de estratégias ilícitas para inflar o número de fãs da marca.

O fato é que a base de curtidores de todas as marcas presentes no Facebook a partir de agora, contam apenas com usuários ativos. Esse cenário pode até aumentar em breve, o índice de engajamento da marca com seus usuários e melhorar seus resultados na plataforma.

Sendo assim, a mídia social não morreu. Essa foi só uma frase de efeito que Marcello Serpa utilizou durante sua apresentação no Wave Festival 2015. O que ele buscava com essa afirmação, era chamar a atenção de diretores de marketing atrasados, que ainda pensam que ações envolvendo redes sociais não dependem de uma boa verba. Não é assim. Para impulsionar uma campanha nas redes é preciso um plano de mídia online. Hoje, a propagação “espontânea” de campanhas publicitárias depende de um impulso programado. Isso é fato. Afinal, é de propaganda que estamos falando, oras.

Se algo morreu, foi o pensamento ingênuo de alguns marqueteiros que acreditavam que sucesso no Facebook era ter 1 milhão de fãs. Hoje já sabemos que a estratégia de propagação em rede é muito mais complexa do que isso e pouco passa pela necessidade de um canal único com audiência de massa.

É preciso lembrar que além dos formatos tradicionais de propaganda, há o outro lado da plataforma, o lado social e espontâneo. Esse é o lado desafiador para quem trabalha com comunicação atualmente. Entender o pensamento em rede é o desafio daqueles que foram criados no pensamento em massa. Serpa sabe muito bem disso.

Tanto sabe, que fez uso de uma estratégia clássica: frases de efeito para causar polêmica e chamar a atenção. Deu resultado. No portal do Meio e Mensagem, a reportagem sobre sua palestra teve uma repercussão espontânea infinitamente superior a todas as demais reportagens da cobertura do evento. Mídia Social morreu? Acho que não.

Ele também sabe que a campanha “Ice Bucket Challenge” para a entidade americana ALS Association ganhou uma proporção maior do que o público alvo estipulado, justamente por conta da eficiente repercussão espontânea nas redes sociais. O pesquisador americano Henry Jenkins confia no conceito de “propagabilidade” o sucesso de campanhas como essa. Eu também. A quem trabalha com comunicação, sugiro a leitura do seu livro “Cultura da Conexão”.

Nem por isso, deixo de acreditar que Mídia Social depende - e muito - de verba de mídia para ter sucesso. Não são coisas excludentes. Redes Sociais devem fazer parte de uma estratégia de comunicação que envolve obviamente, um plano de mídia. Estratégia de rede trabalhando em harmonia com estratégia de massa.

É importante que fique claro: Mídia Social não nasceu só por conta do advento das redes sociais. Ela é fruto do surgimento de uma sociedade mais consciente e crítica em relação à publicidade. Uma sociedade que não consome propaganda ingenuamente. Trata-se de uma sociedade que antes de comprar, pesquisa e avalia não só a qualidade do produto, mas também o histórico da empresa. Ela quer conhecer e se aproximar da marca para ganhar confiança e então, comprar. É a mídia da era da conversação.

No futuro, o Facebook pode até morrer, mas as mídias sociais continuarão por aí, Serpa sabe bem disso.




Crédito da imagem: André Valentim (para o Meio e Mensagem)
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Publicado originalmente na coluna "Opinião" da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXVII, núm.: 1657, pág. 08. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 27/04/2015.