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Dicas para um jovem profissional de publicidade



Caro Caio,

Seu artigo chegou até mim por conta de alguns jovens profissionais que o compartilharam nas redes. Ao ler, notei que ele reflete muitas das inseguranças vividas por esses jovens e por isso, resolvi escrever-lhe essa carta, na esperança de que fosse útil não só a você, mas também a eles.

Sua insegurança demonstrada no artigo é de fato, muito pertinente, porém enfatizo que ela é fruto de alguém que vive uma ansiedade pelo o que está por vir e por isso, considero extremamente positiva, já que o faz estar sempre atento às mudanças.

Assim, a primeira dica que deixo é: aprenda conviver com essa ansiedade, pois ela é de grande valia e provavelmente só vai desaparecer depois dos 90 anos. Ao menos é o que eu imagino, pois não cheguei nessa idade ainda pra confirmar. Digo isso apenas pela calma e tranquilidade que observo no olhar dos idosos. O olhar deles me faz crer que a angústia e a ansiedade deram espaço à maturidade.

Esse encontro de expectativas, ansiedades e inseguranças são típicas do jovem profissional que a todo momento está planejando seu futuro. Foi sempre assim. Mas é claro, para quem vive o momento atual, nos parece que há uma particularidade importante: a mudança de paradigma imposto pelo meio digital.

Você é muito sábio ao identificar como diferentes mercados estão vivenciando conflitos por conta deste novo paradigma que se impõe. Começou com a indústria fonográfica, lutando contra o compartilhamento do MP3, depois a indústria fonográfica, o mercado editorial, o jornalismo, a televisão, a publicidade, as operadoras de telefonia, a airbnb e o uber.

Esse novo paradigma tem como base fundamental a participação da sociedade, a partir de conceitos como interatividade, colaboração e compartilhamento. É extremamente atrativa e tem avançado rapidamente, mas por vezes entra em conflito direto com modelos de negócios conservadores.
Além disso, esse novo paradigma impõe uma nova forma de produzir conteúdo e é esse ponto que bate de frente com a nossa atividade profissional.

Henry Jenkins, há algum tempo, tem observado a nova forma que a sociedade adotou para consumir informação. Em seu livro mais recente “Cultura da Conexão”, escrito em parceria com Joshua Green e Sam Ford, eles inauguram o conceito de “propagabilidade” para explicar como a distribuição de informação depende da participação das pessoas atualmente.

Aplicar esse conceito no campo da publicidade é o que traz insegurança para todos os profissionais dessa área afinal, é preciso rever todo um pensamento que já estava moldado em outra direção: da distribuição em massa e da recepção passiva.

Essa propaganda tradicional já era. Mensagens agressivas de venda já não fisgam mais ninguém. Anúncios disruptivos são ignorados (você citou o AdBlocker). É preciso reaprender a conversar com o consumidor. Note que eu disse “conversar” e não “falar”, pois a partir de agora tudo se trata de um diálogo e não mais um monólogo da marca. Nós, publicitários, sempre fomos moldados a desenvolver monólogos para as marcas.

Pois bem, dessa ideia é que surgiram discursos exaustivamente repetidos sobre a importância da publicidade tornar-se relevante para o consumidor. Hoje já avançamos nisso e o que tenho ouvido bastante é esse discurso que você mencionou: o publicitário deve mostrar ao consumidor como a marca pode ser seu parceiro para resolver problemas das pessoas.

Vou aproveitar e deixar outra dica: acrescente a essa ideia a importância da comunicação estar inserida no cotidiano do consumidor. Repense o papel do profissional de mídia, ele não precisa só identificar qual revista ou programa de TV o público consome. Ele precisa entender o cotidiano do consumidor. Saber o que ele faz durante a manhã, tarde e noite. Com essas informações e em conjunto com os demais profissionais da agência, ele será capaz de identificar como a marca pode participar do cotidiano desse consumidor e oferecer conteúdos ou serviços que auxiliem o dia a dia das pessoas. Esse é o caminho mais óbvio até agora.

Isso que acabei de citar acredito que vai de encontro com uma frase do artigo que gostei muito em que você diz que o publicitário deve “pensar em caminhos que realmente façam a diferença na vida das empresas e das pessoas.”

Sobre outra questão chave da sua angústia: o papel do publicitário. É fato que fomos obrigado no vestibular a escolher uma profissão: publicitário, relações públicas, jornalista, cineasta, etc. Minha percepção é a de que hoje essas divisões não são mais tão claras. Hoje o mercado exige um profissional híbrido.

Para quem trabalha em agência, minha recomendação sempre é: esqueça esses rótulos. Procure ampliar seu conhecimento em busca de uma formação múltipla. Apesar de dizerem por aí que especializar-se numa determinada função é importante, eu não tenho dúvidas de que um redator que entende muito de planejamento e mídia será muito bem valorizado. Melhor ainda se ele tiver alguma formação complementar na área de jornalismo ou televisão. Ou então, fuja de todos esses rótulos e faça cursos que explorem a criatividade e o pensamento fora da caixa.

Claro, cada profissional ainda deve possuir expertise naquela determinada função em que atua, mas a formação ampla e complementar só traz benefícios. Imagino que você concorde comigo já que também dá aulas e já frequentou Hyper Island, Mesa e Cadeira entre outros. Convido-o a reforçar a sugestão que deixo ao jovem em início de carreira: nunca deixe de aprender. Volte para a sala de aula. Faça cursos de especialização que complementem a sua formação original. Assim você vai se preparar melhor para o futuro que vem aí. Você é quem vai moldar esse futuro.

Em seu artigo pude perceber também que você já notou a movimentação no modelo de negócios da propaganda. Eu acredito que será cada vez mais natural ver produtoras de cinema equipadas com áreas de planejamento estratégico ou agências assumindo também o papel de produtoras de conteúdo. Agências contratando roteiristas. Produtoras de cinema contratando publicitários. Esse é o cenário que está se desenrolando. Logo o profissional híbrido, que entende tanto de planejamento estratégico quanto de roteiro, será muito valorizado.

Aliás, costumo dizer que nos tempos atuais, aprender a construir um bom roteiro é uma das disciplinas mais importantes para o profissional de comunicação. Afinal, o que importa é saber construir boas histórias. Isso é o que vai prender a atenção das pessoas com quem você quer falar. Não importa o veículo de comunicação. Pode ser no cinema ou no post do Facebook. A história precisa ser envolvente e relevante.

O cineasta precisa saber construir boas histórias sobre a vida das pessoas. Já o jornalista e o profissional de TV devem se atentar a construir histórias sobre o cotidiano das pessoas. E por fim, o publicitário e o relações públicas são aqueles que precisam construir boas histórias sobre como determinada marca pode colaborar com o cotidiano das pessoas. A diferenciação dos profissionais acaba sendo muito sutil. Somos todos profissionais de comunicação, capazes de contar boas histórias.

Espero que esse meu longo texto tenha aceso ao menos uma fagulha de esperança em relação ao futuro da sua carreira profissional.

Um grande abraço.

Na vida real, o posto Ewing Energies do seriado Dallas


Apesar de levar Leão de Ouro em PR, essa ação não obteve tanto destaque nos canais que cobriram o Festival de Cannes Lions deste ano. Uma injustiça, pois merece mais atenção, já que conseguiu gerar bastante mídia espontânea na imprensa local.

A ação é antes de mais nada, um bom exemplo daquela tendência que costumo comentar: campanhas de comunicação que ousam não apenas transmitir uma mensagem, mas causar algum impacto real no cotidiano das pessoas.

Nesse caso, o canal TNT - para o lançamento da nova temporada do seriado DALLAS - montou um posto de gasolina de verdade numa esquina de Nova Iorque. O posto tinha a marca fictícia "Ewing Energies" e durante um dia inteiro, vendeu combustível por um preço bem abaixo do mercado.

A ação foi anunciada através de um teaser na televisão. Foi suficiente para formar uma grande fila de carros durante todo o dia e também promover muitas inserções espontâneas na imprensa.

Abaixo o vídeo case inscrito no festival:








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Publicado originalmente no "Update or Die", em 24/06/2014.



O melhor de Cannes Lions 2014 num só post


Aqui vai minha seleção de campanhas e meu resumo geral do que rolou. Se olharmos para os "cases" premiados e para as discussões que ocorreram nas palestras, minha impressão é a de que a edição de 2014 do Festival de Criatividade de Cannes Lions serviu para reafirmar pontos que já vinham sendo apresentados, mas nem todos deram a atenção necessária. É claro que festivais como esse estimulam os velhos problemas das peças fantasmas e do uso de ações sociais como garantia de premiação, mas ainda assim, essa edição serviu para reafirmar tendências que merecem ser anotadas.

A linguagem do meio publicitário vem sofrendo uma importante revolução. Isso qualquer profissional da comunicação já notou. Porém, o que nem todos querem aceitar é que o rumo que ela está tomando é em direção a determinados modelos, como por exemplo, o que hoje estamos chamando de content marketing ou branded content. Mesmo que esses rótulos sejam limitadores, ao menos é assim que conseguimos traduzir até agora. A edição deste ano de Cannes Lions provavelmente fez muita gente concordar com essa minha opinião. Houve até quem exagerasse dizendo que os publicitários podem começar a atuar inclusive em outras áreas profissionais. Calma, não vamos inflar demais os egos.

O avanço da linguagem
A publicidade cresceu junto com a televisão nos anos 50 e desde então, nossa sociedade foi desenvolvendo uma capacidade cognitiva de identificar características próprias de uma mensagem publicitária, seja ela impressa ou audiovisual. Hoje, somos capazes de identificar um anúncio antes mesmo de ler o texto publicitário.

Como ninguém compra uma revista ou assiste televisão com o objetivo de ver os anúncios publicitários, essa capacidade cognitiva que desenvolvemos é utilizada para eliminar a propaganda do caminho que percorremos para chegar até o conteúdo que nos interessa.

Em resumo, ninguém mais dá a mesma atenção para as mensagens publicitárias como em décadas atrás. Na medida do possível, e com o suporte da tecnologia, procuramos eliminar as propagandas disruptivas do nosso cotidiano.

Dito isso, volto a Cannes: qual é a solução que encontramos já há alguns anos? Foi o desenvolvimento de campanhas inovadoras em que o ponto central é extrapolar os limites que delimitam a área reservada para a propaganda. Realizar campanhas em que a mensagem publicitaria é relevante o suficiente para ser desejada pelo público.

A publicidade não quer ocupar mais somente o intervalo, ela quer estar dentro da programação. Isso é o que estão chamando de “conteúdo”. A publicidade é o próprio filme, a websérie, a revista, a estação de rádio, o aplicativo de celular etc.

Você pode não acreditar, mas já foram premiadas anteriormente campanhas em que a plataforma de comunicação era um outro produto. Sim, acredite. A pulseira FuelBand da Nike é um produto que surgiu a partir de um plano de comunicação da agência R/GA. Outro bom exemplo premiado em 2011: para divulgar a temporada de concertos da Dortmund's Concert Hall na Alemanha, a agência produziu (e colocou à venda) uma nova linha de leite chamada Dortmund Concert Milk. Para entender, só mesmo vendo o video-case:



Muitas das campanhas premiadas esse ano acabam ressaltando esse discurso. Outras boas campanhas que selecionei, trazem em sua essência alguns conceitos que colaboraram com a ideia central de extrapolar os limites originais da propaganda.

Na maioria dos casos abaixo, note como a peça publicitária não tem mais aspecto de uma propaganda tradicional. Parece qualquer outra coisa, menos uma propaganda.

O que fez sucesso no Festival Cannes Lions
Abaixo as principais campanhas premiadas com grand prix ou leão de ouro, agrupas de acordo com características que considero importante serem percebidas por aqueles que atuam nessa área. Recomendo separar algum tempo e assistir a cada um dos video cases.
Obs: estes são os vídeos originais inscritos no festival, em inglês.

#1: Quando a tecnologia e a interação com o meio digital promovem uma experiência real:

FIAT LIVE STORE (mais sobre)



SOUND OF HONDA / AYRTON SENNA 1989 - HONDA MOTOR CO. (mais sobre)


O vídeo que foi amplificado:




MEGAFACES PAVILION / SOCHI 2014 WINTER GAMES - JSC MEGAFON (mais sobre)




MAGIC OF FLYING - BRITISH AIRWAYS (mais sobre)




#2: É parte da estratégia a interação, participação ou colaboração do público:

IAN UP FOR WHATEVER FILM  - BUD LIGH (mais sobre)




BOB DYLAN LIKE A ROLLING STONE - SONY MUSIC (mais sobre)


Aqui uma simulação de como funciona o hotsite:




PHARRELL WILLIAMS - 24 HOURS OF HAPPY - UNIVERSAL (mais sobre)




DEAR FUTURE MOM - COORDOWN ONLUS (mais sobre)




DOVE REAL BEAUTY SKETCHES - UNILEVER (mais sobre)




MILKA LAST SQUARE - MONDELEZ  (mais sobre)




#3: Quando é a narrativa do filme (storytelling) ou a interatividade do jogo que promovem a imersão e a relevância da peça publicitária:

THE SCARECROW - CHIPOTLE MEXICAN GRILL (mais sobre)




COCA-COLA LIFE (mais sobre)



KOMBI LAST WISHES - VOLKSWAGEN (mais sobre)



THE 1000 MILES OF LUCA - CONSEJO PUBLICITARIO ARGENTINO (mais sobre)




GOOGLE - MULTI-DEVICE MOBILE CHROME EXPERIMENT (mais sobre)




#4: A criação de um novo produto ou a prestação de um serviço é a plataforma de comunicação da marca:

SPEAKING EXCHANGE - CNA (mais sobre)




SWEETIE - TERRE DES HOMMES NETHERLANDS (mais sobre)




ELO TEDDY BEAR - HOSPITAL AMARAL CARVALHO (mais sobre)




PROJECT DRIVE-IN - HONDA (mais sobre)




DALLAS GAS STATION - TNT - DALLAS




#5: Quando o formato tradicional do anúncio torna-se algo relevante e útil:

THE SOCIAL SWIPE - BISCHÖFLICHES HILFSWERK MISEREOR (mais sobre)




PROTECTION AD - NIVEA SUN KIDS (mais sobre)





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Publicado originalmente no blog Comunicadores, em 23/06/2014.

Dicas que aprendi no YouTube Space LA para montar um canal de sucesso


Pode soar estranho ou mesmo irônico ver um espaço ao lado de Hollywood em que momento algum se dá valor aos tradicionais meios de massa como o cinema ou a televisão. Este é o YouTube Space, instalado em Los Angeles (EUA).

De fato não se trata de uma ironia e sim, uma visão estratégica. Bem ao lado do maior centro de produção cinematográfico do ocidente, está instalado o YouTube Space LA, um espaço com estúdios e salas de edição à disposição dos jovens produtores que estão conquistando a cada dia uma audiência na internet equivalente à audiência de programas de televisão.

Estes jovens não estão produzindo apenas os tais vídeos “virais” que tanto já ouvimos falar. Eles planejam estrategicamente todo o desenvolvimento de um canal no YouTube. Programam a frequência das publicações de novos vídeos e desenvolvem táticas para manter sua plateia engajada e assim, amplificam a repercussão dos vídeos ao mesmo tempo que fidelizam seus espectadores.


É o caso da web série “Video Game High School”, produzida de forma independente por jovens americanos. O roteiro da web série VGHS é de responsabilidade de Matthew Arnold, Will Campos e Brian Firenzi. A direção fica por conta de Matthew Arnold, Brandon Laatsch e Freddie Wong. Foi lançada em 2012 e devido a boa aceitação da 1ª temporada, no ano seguinte o grupo resolveu recorrer a um portal de crowdfunding para obter ajuda financeira dos próprios usuários da internet para produzir a temporada seguinte. Eles arrecadaram cerca de 800 mil dólares. A 2ª temporada obteve mais de 2,5 milhões de views em cada episódio. Agora em 2014 o grupo está produzindo a 3ª temporada com recursos obtidos mais uma vez a partir da colaboração dos próprios espectadores da web série. Desta vez foram cerca de 900 mil dólares arrecadados. Também fecharam um contrato para exibição do programa no Netflix.

Como pode-se ver nesse exemplo, canais de YouTube são hoje um modelo de negócios para quem quer trabalhar no mercado audiovisual e claro, para uma empresa como o Google, é estrategicamente muito importante ter sua plataforma de vídeos em meio a essa nova era do audiovisual. O YouTube Space quer portanto, estimular e fomentar estes jovens produtores de vídeos independentes.


Nestes espaços são realizados também alguns workshops com profissionais do YouTube em que os participantes passam por um grande aprofundamento sobre como produzir conteúdo de forma estratégica e todas as questões legais envolvidas. Também aprendem como desenvolver um canal de sucesso e como desenvolver a identidade da marca de um canal. Outro tema abordado são as estratégias de remuneração a partir da inserção de propaganda no canal, bem como as ferramentas de análise de resultados.

Vê-se que o Google está formando uma legião (em escala global) de profissionais especialistas na criação de conteúdos para o YouTube. Não é por acaso. Ele precisa garantir a qualidade do que é publicado dentro de sua plataforma e depende de ajuda destes usuários-parceiros para ampliar sua audiência.

Hoje o YouTube está presente em 61 países e é acessado por cerca de 1 bilhão de usuários todo mês. Os espectadores de vídeos consomem no total, 6 bilhões de horas de transmissão de vídeo por mês. Para dar conta de tanto consumo audiovisual; a cada minuto cerca de 100 horas de vídeos são transferidos para a plataforma do YouTube. Cerca de 1 milhão de canais são remunerados através da inserção de publicidade nos canais.


Devido ao sucesso do programa YouTube Space, a empresa iniciou recentemente um projeto envolvendo exclusivamente educadores de universidades. Em Los Angeles a primeira edição desse programa exclusivo para educadores aconteceu na última semana de março de 2014 onde haviam educadores de cerca de 15 universidades americanas selecionadas pelo Google. A FAAP – Fundação Armando Alvares Penteado – localizada em São Paulo, foi a única instituição de ensino fora dos Estados Unidos convidada a participar desta edição do programa YouTube Educator LAB. Como coordenador do Núcleo de Inovação em Mídia Digital da FAAP, eu estive lá e deixo aqui um pouco do que registrei.


Diversos profissionais do Youtube se revezaram ao longo do workshop para abordar todos os aspectos da plataforma. Foram apresentados alguns importantes aprendizados colhidos a partir da experiência prática dos canais de sucesso no YouTube. Entre estes aprendizados, há recomendações bastante simples que podem ajudar quem pretende empreender um canal no Youtube. Confira abaixo:

- Lembre-se sempre que o número de visualização é menos importante do que o tempo médio de visualização do vídeo. Conhecido como “watchtime”, essa medida é hoje o principal fator para determinar a ordem de destaque que cada vídeo terá dentro da plataforma. Afinal, o número de acessos ou clicks de um vídeo não é bom indicador de visualização. Muitos podem acessar os primeiros segundos do vídeo e logo abandonar. Acompanhar nos relatórios estatísticos o tempo médio de visualização é uma maneira mais eficaz de avaliar a aderência de sua audiência e relevância dos seus vídeos.

- A interação com os espectadores do canal no YouTube é mais importante do que muitos imaginam. É vital para manutenção e ampliação da audiência dos vídeos. Um canal que faz parte de plataforma online deve aproveitar ao máximo aquilo que é intrínseco ao meio digital: a interatividade. Pode-se produzir um vídeo que faça referência aos comentários que os usuários deixaram em relação aos vídeos anteriores ou até mesmo, fazer referência direta a um espectador em especial. Outra fórmula para gerar engajamento é convidar os assinantes do canal a sugerirem temas ou colaborarem com a produção dos roteiros dos vídeos. Por fim, a interatividade pode acontecer também durante o decorrer dos vídeos através da aplicação de textos e links sobre o vídeo.

- O Google+ é uma rede social que pode ajudar a amplificar a disseminação de um canal do YouTube através da integração do recurso de publicação dos comentários dos usuários, tanto no canal quanto no post do G+. Quem optar pela integração, verá todos os comentários deixados nos posts do G+ também aparecendo na página do respectivo vídeo na plataforma do YouTube.

- Outra estratégia útil para o responsável pelo canal é observar a lista de “Top Fans” do relatório de estatísticas e a partir dela, criar um círculo no Google+ para passar a enviar mensagens exclusivas para esses top fãs e assim, aumentar a fidelidade ao canal.

- Consistência e redundância do formato e da linguagem são importantes para sustentar um canal no YouTube. Essa regra vale para o apresentador dos vídeos (caso exista). A redundância do formato também pode aparecer através de vinhetas de abertura dos vídeos ou pequenos blocos inseridos sempre no término de cada vídeo. A regra geral é: elementos que se repetem nos vídeos ajudam a criar uma identidade para o canal.

- Também é importante definir e manter uma periodicidade de publicação dos vídeos e quando possível, aproveitar eventos importantes para publicar um vídeo especial referente aquela data especial.

Estes são alguns dos principais fundamentos que os profissionais do Youtube recomendam aos seus parceiros de conteúdo, responsáveis pelos canais de maior audiência em todo o mundo.

No workshop ficou evidente que a especialização oferecida pelo Youtube, bem como a infraestrutura oferecida pelo YouTube Space - tanto de Los Angeles como dos demais que estão sendo implantados em outras partes do mundo - serão capazes de criar uma nova era de vídeos em que veremos não apenas vídeos virais dispersos pela rede, mas canais muito bem estruturados que poderão por si só servir como fonte de remuneração de toda uma equipe ou então, ganharem relevância suficiente para mais tarde, serem incorporados por uma emissora de televisão. Serão verdadeiros canais de conteúdo audiovisual para as massas. Sem dúvida, há um futuro promissor para os canais de vídeo online.


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Publicado originalmente no Update or Die, em 22/04/2014.

Sobre a conversa entre Itaú, Netflix, Ponto Frio, McDonalds e Coca-Cola no Twitter

Resolvi trazer para cá uma parte do registro da conversa que aconteceu na última terça (01/04). Sei que já vimos outros exemplos semelhantes, mas ainda assim, é um bom exemplo prático de toda a revolução que estamos presenciando no mundo da comunicação, da publicidade e do relacionamento com o consumidor.

Analisar o desenrolar da conversa ajuda a compreender um pouco do que se trata algo que estão chamando de "real time marketing".














A observação da "conversação" faz levantar muitas questões, as quais deixo aqui para sua reflexão:
- Qual estrutura é necessária para sua empresa conseguir responder com essa desenvoltura e imediaticidade?
-  Como desenvolver uma proximidade tão grande entre a agência e cliente para que os profissionais que atuam diretamente com as publicações possam ter segurança e liberdade para interagir dessa forma no Twitter?
- Quais cuidados agência e marca precisam ter quando citam outras marcas nas redes sociais? Por enquanto não há legislação clara a respeito, mas sabe-se que citar diretamente um concorrente numa peça publicitária não é usual no Brasil. Já nos EUA é bastante comum.
- Só é possível algo assim quando a presença digital das marcas envolvidas são administradas pela mesma agência ou agências parceiras?
- Ações assim são planejadas previamente ou foi tudo 100% espontâneo?


Acredito que muitas dessas questões ainda não possuem uma única resposta firmada, mas enquanto isso, ganham destaque as marcas que assumem o risco inerente de quem resolve sair na frente e inovar, como aconteceu com as marcas envolvidas nesse caso.


Um portal de notícias que se adapta ao seu interesse


É fato que o jornalismo vive uma difícil fase frente às novidades da era digital. Poucos jornais e revistas descobriram como obter sucesso no ambiente digital.

A maioria ainda vive uma fase que Marshall McLuhan já previu nos anos 60, quando estudou o surgimento de novos meios de comunicação: eles costumam ser ocupados por conteúdos com formato antiquado, oriundos dos meios anteriores.

Na internet, vemos acontecer algo do gênero: os portais dos importantes jornais e revistas do Brasil são uma mera replicação do seu formato impresso. Isso não funciona, pois além de estarmos num meio que tem características distintas dos meios anteriores, também estamos à frente de uma nova sociedade.

Nossa sociedade vive uma constante pressão por produtividade. Poucos possuem tempo para ler o jornal completo toda manhã. O estímulo pela cultura da economia e da sustentabilidade faz as pessoas acreditarem que assinar um jornal impresso é um desperdício, já que não conseguirá aproveitar por completo. Além disso, fica a impressão de que nem todas as notícias ali presentes são relevantes, pois a sociedade da cultura digital não aceita mais passivamente o que aparece à sua frente. Ela quer ver seus interesses participando e colaborando com o processo de comunicação.

Além da posição mais ativa, desenvolvemos ao longo das últimas décadas o desejo pelo consumo individualizado da informação. Não só trocamos o telefone pelo celular, mas também deixamos de assistir todos juntos um mesmo canal de TV na sala e passamos a consumir canais diferentes de TV, cada um num cômodo diferente da casa.

Na internet nem se fala. A possibilidade quase infinita de acesso à informação nos faz navegar à deriva em meio ao excesso de informação; e até agora, ninguém soube aproveitar adequadamente esse cenário.

Alguns portais de notícias experimentaram a possibiliade da personalização da página de entrada, em que é possível escolher as suas editorias de interesse, porém, em tempos de redes sociais, não é exatamente esse o nível de personalização que esperamos.

Como garantir a relevância de um portal de notícias na era da big data? Aqui vai a resposta: considere um portal que ao ser acessado, ele analisa os seguintes dados (claro, com a sua devida autorização prévia):
- seu histórico de navegação e notícias que leu nas visitas anteriores;
- sua ficha de cadastro no portal e todas as informações que disponibilizou lá (endereço, idade, faixa etária etc);
- os assuntos que você costuma comentar em seu facebook e twitter;
- as fanpages que você curtiu e as pessoas que você segue;
- os locais onde já fez check-in e o local exato em que você está;
- etc.

Coloque esses dados para serem processados e filtrados por um algorítimo que considere também, uma nota de relevância para todas as notícias que os jornalistas produzem para o portal e pronto, temos um site de notícias extremamente adaptado aos interesses de cada pessoa.

Ninguém mais acessará uma página de entrada com as mesmas notícias na manchete. E a classificação que o jornalista indica para cada reportagem vai garantir que o leitor não fique fechado em um círculo vicioso de informação sem ter acesso aos fatos importantes do mundo.

Eu pensei que o primeiro a lançar algo semelhante ao que acabei de citar seria Jeff Bezos, CEO da Amazon. Acredito que ele esteja preparando algo do gênero para o lançamento de um novo “The Washington Post”.

Porém, o portal Terra saiu na frente. Dia 31 de março será lançado em alguns países, dentre eles o Brasil, um novo portal do Terra que utiliza um algoritmo bastante semelhante ao que citei. No mês seguinte, esse novo portal será lançado para todos os demais países onde o Terra atua.

A plataforma de gerenciamento de todo conteúdo foi desenvolvida pela Adobe e pretende revolucionar a forma como o usuário consome informação nas redes. A interface do portal também foi bastante modificada. Agora, a proposta é uma navegação com poucas páginas e rolagem infinita. A página de entrada terá uma sequencia infinita de matérias, como a “timeline” de uma rede social.

A partir da próxima semana o Terra prometeu iniciar a distribuição de senhas de acesso para um pequeno grupo de usuários do portal, sorteados ao acaso. Este grupo será convidado a conhecer em primeira mão o novo portal.

Ao que tudo indica, o consumo diário de notícias não será mais como antes. Não se trata apenas da troca do suporte (do papel para o digital), mas da forma como a notícia é filtrada até chegar ao leitor. Nasce uma nova fase para o jornalismo. Saberão seus profissionais aproveitar a oportunidade?



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Publicado originalmente no Update or Die, em 06/03/2014.

A experiência de vivenciar um Super Bowl


Neste post trouxe para meus leitores o relato de quem tem esteve presente e pôde observar toda a estrutura entorno da final da liga nacional de futebol americano dos EUA. Um evento como esse, gera infinitas oportunidades de marketing e portanto, é um ótimo caso para acompanhar e guardar como referência. Afinal, somos a sede da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, certo?

Marcos Maramaldo é meu aluno do 2o ano da faculdade de publicidade e propaganda. Esse ano ele foi fazer um intercâmbio e aproveitou a oportunidade para conferir in loco o Super Bowl XLVIII e também observar como a cidade e o comércio da região se prepara para um evento como esse. Ele aceitou meu convite para compartilhar aqui no blog como foi a experiência e aqui segue seu relato:

*    *    *

"No sábado, um dia antes do jogo, eu e meu pai saímos à procura do uniforme de algum dos times. Com a indicação de um amigo, entramos na Macy's. Começou aí o encantamento com o Superbowl XLVIII. Do lado de fora da loja, um stand enorme da ESPN montado, cheio de segurança em volta. Dentro da loja: logo na entrada, uma bola de futebol americano gigantesca pendurada no teto, acompanhada por diversas bandeiras (dos EUA e dos times). Subindo três andares, nos deparamos com um andar inteirinho exclusivo para o evento. Repleto de roupas e objetos do jogo. Tudo! De ambos os times. Na entrada desse andar, via-se manequins formando um time completo, uniformizado.

A loja estava absolutamente lotada, não conseguíamos andar direito. E foi aí que vimos a organização daqui, como tudo é levado à sério. Mesmo lotada, as filas dos caixas eram muito rápidas. Tinham caixas em cada canto da loja, e muitos.



Chegando no hotel, ligamos a televisão e vimos um programa sendo transmitido diretamente da tenda da ESPN que tínhamos visto do lado de fora da loja. Inclusive, fiquei surpreso quando a repórter mencionou a quantia investida na segurança do evento: $10 milhões.

No dia seguinte, saímos cedo do hotel em direção à estação de trem. Imaginávamos filas para entrar nos vagões, gritaria etc. Nada disso. A estação estava calma e com seguranças por todos os lados. Entramos num trem onde haviam torcedores de ambos os times e todos brincando um com o outro, num tom tranquilo e bem humorado. Todos estavam felizes e a fim de se divertir! O espetáculo estava apenas começando.

Pouco depois, chegamos ao estádio. O trem nos deixou exatamente na porta do local. Haviam centenas de pessoas da organização para as quais podíamos pedir informações, o que fez nossa entrada ser muito fácil e rápida. E, pasmem, completamente sem fila. Isso mesmo, tinham aproximadamente 90 mil pessoas no local e não pegamos fila alguma para entrar. Pedimos informações diversas vezes e todas elas foram muito bem atendidas pelo pessoal local. Ninguém de mal humor.

Entrando no estádio, percebi a dimensão daquilo tudo. Uma imensidão de gente naqueles três anéis do MetLife Stadium. Lindo! Chegamos no lugar marcado no nosso ingresso. Ninguém estava lá; o lugar era nosso. Na cadeira, havia uma mini mochila com algumas coisas dentro (como luva, gorro, batom de cacau, capa de chuva etc.). Essa mochila era também uma almofada para sentarmos na cadeira dura.

Eu e meu pai estávamos com a camiseta do Broncos e perto da nossa cadeira a maioria das pessoas era torcedor do Seahawks. Brigas? Nada disso! Fizemos amizade! E muita. Conversamos uma boa parte do jogo, rimos juntos e até tiramos fotos!

Pouco tempo depois, começou o espetáculo. A banda entrou em campo, dando uma abertura maravilhosa ao evento. Logo após, fogos de artifício. Ao final, uma bandeira enorme dos Estados Unidos foi erguida no campo, seguido pelo hino nacional americano, o qual todos ouviram de pé e em silêncio. Ao final do hino, aproximadamente 5 lindos helicópteros do exército americano sobrevoaram o estádio. Nunca tinha visto uma coisa daquelas. Inacreditável!

Começou o jogo. Infelizmente não foi o que eu esperava: o Seahawks dominaram o jogo por completo.


No intervalo do 2o para o 3o quarter, o famoso "halftime show" era esperado. Em incríveis 7 minutos cronometrados, montaram uma estrutura para a apresentação de Bruno Mars e Red Hot Chili Peppers.

Durante a montagem, a luz do estádio se apagou e a emoção começou. O locutor falou para colocarmos o gorro que havia na mochila da nossa cadeira. Nesse gorro, havia umas luzes. Fiquei em estado de êxtase quando vi o estádio inteiro piscando com as luzes do gorro. Não só isso! Não acreditei quando percebi que aquelas luzes eram controladas por alguém para fazer uma sintonia perfeita entre elas formando uma 'ola' de luz. Foi incrível!

Depois de um tempo, o show começou. Não apenas o show em si, com Bruno Mars e Red Hot no palco, mas também um show de luz, fogo e fogos de artifício. De arrepiar!


Após o show, o jogo retornou e acabou com o Seatle Seahawks levantando a taça de campeão numa exibição brilhante perante o morto Denver Broncos.

Na saída, fizemos o mesmo caminho de volta, por trem. Novamente, não pegamos fila alguma e o número de seguranças chama a atenção. Mais uma vez, torcedores de ambos os times, sempre brincando e rindo. Não houve briga, provocação, nem qualquer desentendimento.

Se eu pudesse definir em uma palavra o espetáculo, seria: PERFEIÇÃO. Sim. O evento é completamente maravilhoso! Tudo que eu esperava e muito mais. Tudo é feito para ser perfeito, e funciona exatamente como tal. É um show. É MÁGICO! Uma noite para nunca mais sair da memória!

Se o Brasil fizer um terço disso na Copa do Mundo, fará bonito!


Falando sobre  publicidade. As principais marcas presentes no evento, eram: Verizon, SAP, Bud Light, Pepsi e Visa. Outras marcas apareciam mas com menor exposição: Snickers, M&M´s, Fedex, Lenovo, Bridgestone, Doritos, GMC, ESPN e FOX.

Nada muito exagerado. Quatro principais (Verizon, SAP, Bud Light e Pepsi) davam nomes aos 4 portões de entrada do estádio (o meu portão, por exemplo, era Verizon). Já a Visa aparecia nas camisetas de todo o pessoal da organização, sacolas das lojas, brindes etc.

As secundárias tinham seus nomes exibidos nos letreiros durante o jogo. Algumas propagandas apareceram nos telões do estádio, como da Bud (aquela que viralizou, da amizade entre um cavalo e um cachorro), Fedex, Doritos e M&M´s. No campo, era possível ver os logos da ESPN e FOX num "carrinho" que, ao final, se transformou num estúdio para os comentaristas do jogo. Na saída, via-se um stand da GMC.

Termina assim meu registro e a minha impressão desse grande e inesquecível evento. Se você um dia tiver a oportunidade de participar, não pense duas vezes, vá!"

Marcos Maramaldo

*    *    * 




Lições do Festival de Cannes Lions 2013

A tal ponte entre o mundo digital e o real continua a causar impacto


Fiz uma seleção particular de algumas das campanhas que foram premiadas na edição de 2013 do Festival de Criatividade de Cannes Lions. Os “cases” aqui reunidos ajudam a ilustrar algumas lições e identificar os rumos da comunicação publicitária. Minha intenção é dividir com você alguns aspectos e tendências para que você possa aproveitar, vamos lá:

Conversação
Na era das redes sociais, a comunicação deve ser constante e contínua. O relacionamento com o consumidor se dá através de uma “conversação” infinita que no meu ponto de vista, nenhuma marca conseguiu apreender ainda, mas a Oreo tem feito um ótimo trabalho nesse sentido.


Título: Oreo Daily Twist
Agência: DraftFCB, de Nova York
Anunciante: Oreo


Interferência real
Já descobrimos ser essencial estabelecer “pontes” de conexão entre a comunicação digital e o mundo real. A campanha ganha ainda mais impacto quando não se faz apenas uma “ponte”, mas uma real interferência na vida das pessoas.


Título: Retratos da real beleza
Agência: Ogilvy Brasil
Anunciante: Dove, Unilever


Título: Let´s go Crazy
Agência: Ogilvy Brasil
Anunciante: Coca-Cola



Título: Bridge of Life
Agência: Cheil Seoul
Anunciante: Samsung Life Insurance




Branded Content
Esse aspecto já deixou de ser tendência para se tornar mainstream. Faz sucesso a publicidade que não tem uma linguagem nem forma de propaganda. Ela chega de fato, a ser relevante, ofertando um serviço ou produto adicional que a marca oferece aos seus potenciais consumidores.


Título: Easy way subtitles
Agência: Loducca
Anunciante: Easy Way Language Center


Título: Carregador solar
Agência: Giovanni+DraftFCB
Anunciante: Nivea


Título: Amplificador
Agência: JWT
Anunciante: Coca-Cola FM


Título: Ads with a purpose
Agência: Ogilvy França
Anunciante: IBM


Título: Catraca da Boa
Agência: AlmapBBDO
Anunciante: Antarctica (Ambev)




Contribuição para a sociedade
Aqui algumas campanhas que unem as ideias anteriores de branded content com uma interferência real na vida das pessoas.


Título: A loja vazia
Agência: Loducca
Anunciante: Shopping Villa Lobos



Título: Meu sangue é rubro-negro
Agência: Leo Burnett Tailor Made
Anunciante: Hemoba e Esporte Clube Vitória


Título: Fãs imortais (vencedor em duas subcategorias)
Agência: Ogilvy&Mather Brasil
Anunciante: Esporte Clube Recife



Interatividade e Colaboração
São dois conceitos intrínsecos do meio digital e portanto, essenciais para promover o envolvimento do consumidor com a marca. Algumas vezes a complexidade é tanta que causa estranheza o sucesso da campanha, mas de fato, parece que hoje é isso o que atrai a curiosidade do consumidor.



Título: The Beauty Inside
Agência: Pereira & O’Dell, São Francisco EUA
Anunciante: Intel + Toshiba


Título: Why wait until it’s too late
Agência: Ogilvy & Mather Amsterdam
Anunciante: Funeral Insurance Company Dela



História
Quem trabalha com branding já ouviu muito sobre a importância de se construir uma história da marca. Quem trabalha com transmedia storytelling também sabe que a história é essencial para amarrar as diversas comunicações espalhadas por várias mídias. E nos casos abaixo é possível ver que até o mais tradicional dos meios de comunicação conseguem destaque quando possuem uma boa história.


Título: Alma
Agência: F/Nazca
Anunciante: Leica
Produção: Sentimental Filme


Título: Dumb Ways to Die
Agência: McCann Melbourne
Anunciante: Metro Trains, Austrália


Conclusão:
Última dica: vale observar como na maioria dos casos apresentados acima, há a preocupação com o uso criativo da tecnologia e como já citei no subtítulo, uma relação de discurso que começa num ambiente digital e termina numa ação real.





FOTO: Raymundo Calumby.

#OccupyGezi: o ativismo de sofá e os protestos na Turquia

Reflexões sobre a participação das redes sociais no caso dos protestos na Turquia


Os protestos que tiveram início na semana passada em Istambul e algumas outras cidades da Turquia servem como um bom caso de estudo para aqueles que pretendem avaliar o potencial mobilizador das redes sociais.

Ontem a Amanda Pereira entregou seu artigo científico sobre cidadania 2.0 lá na Universidade Potiguar em Natal (RN). Assim como ela, seja no latu ou stricto sensu, muitos estão refletindo sobre as implicações da “era das redes sociais” na política e na cidadania.

Pretendo pontuar alguns fatos que considero relevantes para aqueles que estudam esse tema, mas antes um resumo do ocorrido até então:


Na semana passada aconteceram protestos no parque Gezi em Instambul, contra um projeto urbanístico que prevê a extinção do parque para dar espaço a um centro comercial, um centro cultural e uma mesquita.

Os protestos se prolongaram nos dias seguintes, passando também a questionar não só a reforma urbanística, mas toda a política do partido islamita do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. A reforma seria uma alternativa utilizada pelo governo para privatizar áreas públicas por conta da escassez de espaços urbanos livres para aproveitamento do setor imobiliário e da construção civil.

Os movimentos de protesto começaram então a surgir também em outras cidades da Turquia. No quinto dia consecutivo de manifestações, a polícia decidiu retirar à força os manifestantes do parque Gezi e foram acusados de uso excessivo da violência, fato que fez o governo pedir desculpas alguns dias depois por conta dos feridos durante a repressão policial.

Na cidade de Esmirna, 25 pessoas foram detidas por publicação de “informação errada” no Twitter. O primeiro-ministro já havia dito que o Twitter era uma “ameaça” utilizada para propagar “mentiras”.

Ao perceber que havia sintomas de censura na política adotada pelo governo turco, um grupo de manifestantes criou, dentro da rede de crowdfunding Indiegogo, um projeto para arrecadar dinheiro para publicar um manifesto no jornal The New York Times, com o propósito de garantir exposição internacional sobre a opressão na Turquia.


O objetivo era alcançar cerca de 53 mil dólares, valor referente à publicação de um anúncio no jornal. Em cerca de uma semana, o grupo já tinha alcançado mais de 90 mil dólares em doações feitas pela rede Indiegogo.

O manifesto que será publicado no The New York Times é esse:

Para aqueles que estudam a dinâmica dos meios de comunicação e a influência das redes sociais na sociedade, vale considerar alguns pontos:

- O ativismo (ou mobilização) de sofá é considerado por alguns como um recurso inócuo para a política, pois nasce o morre dentro das redes sociais, sem interferir efetivamente no processo político. Esse caso na Turquia mostra como a colaboração através da simples doação de recursos financeiros tem papel fundamental para aqueles que efetivamente estão envolvidos na manifestação. O ativismo de sofá é capaz sim, de potencializar ações efetivas.

- Assim como em outros casos de protestos, fica evidente a importância que as redes sociais assumiram como ferramenta mobilizadora da sociedade. Ela é utilizada tanto para a organização dos manifestantes quanto para repercussão dos acontecimentos, tanto que a polícia turca chegou a prender alguns manifestantes por divulgarem fatos pelo Twitter.

- Por fim, esse caso mostra ainda o valor dos veículos de massa, mesmo na “era das redes sociais”. A imprensa, através dos seus canais de massa, é fundamental para ampliar o impacto da informação. É através dos veículos de massa que a mensagem alcança segmentos diferentes da sociedade e quando envolve o jornalismo, é capaz também de legitimar o discurso. Os primeiros fatos são propagados entre pares nas redes sociais (usuários com alguma afinidade). Quando os fatos são coletados e publicados em um veículo de massa, ele atinge outros grupos da sociedade e mais uma vez, é devolvido às redes, agora com um novo potencial de repercussão espontânea. Esse é um ciclo dinâmico que permanece até o esgotamento completo da mensagem.

Cientes dessa dinâmica, um grupo de manifestantes resolveu criar uma ação colaborativa nas redes sociais que tem como propósito alcançar exposição em um veículo de massa de grande impacto. Ou seja, hoje os canais de massa e das redes vivem em uma relação de sinergia.

A quem se interessar, abaixo estão alguns links com mais informações sobre o caso.
- Turquia: crowdfunding paga anúncio no NYT
- Mídia local fala de pinguins e não fala de nós, diz manifestante na Turquia
- Editorial: Apreensão na Turquia

Hoje é dia do professor!

Quantos professores você tem dentro da sua empresa/agência?


Hoje é dia do professor. Por causa disso, ganhei a semana de folga. Na verdade a folga é por conta de outro feriado. De qualquer forma, os alunos agradecem. Não é o dia deles, mas ganharam uma semana sem me ver. Felicidades deles. Ironia minha.

Nessa semana de folga eu aproveito pra ler o Meio e Mensagem com mais calma. Aproveito para ver os amigos que estão no mercado publicitário, correndo pra entregar mais um job. Trocamos ideias e opiniões sobre o futuro da publicidade. Eles contam seus últimos “cases” de sucesso. Eu falo sobre as reflexões que desenvolvemos na academia.

Aliás, nunca na história da propaganda brasileira, o mercado esteve tão próximo da academia.
Aliás, houve até um tempo em que nem existia academia: os primeiros grandes nomes da publicidade brasileira aprenderam a fazer propaganda no dia-a-dia, errando e acertando.

Quando chegaram ao auge da carreira, ajudaram a formar as gerações seguintes, mas logo perceberam que uma graduação em propaganda seria importante para a formação do publicitário, e assim, no início dos anos 60 surgiram os primeiros cursos de ensino superior de propaganda no Brasil. A FAAP faz parte dessa história. Tenho colegas que estudaram nas primeiras turmas do curso de comunicação social. Trabalharam no mercado e hoje são professores da casa.

Com o surgimento das faculdades, a publicidade começou a contar com profissionais diplomados dentro de suas agências, mas a bem da verdade é que o tempo passou, e o mercado começou a menosprezar o conhecimento científico.

Nos anos 80 e 90 havia aqueles que desencorajavam seus estagiários a voltarem para a faculdade após o expediente. Diziam que propaganda se aprende no dia-a-dia, dentro da agência.

Hoje ninguém mais tem coragem de falar algo assim. Sabem a diferença que faz para a formação do profissional, aquilo que se apreende durante o processo de reflexão teórica. Ainda mais agora, em plena era digital e revolução dos meios de comunicação, época em que nada mais está bem definido.

Perdemos o chão. Vivemos uma transição de paradigmas. O conhecimento prático oferecido pelo cotidiano da agência não basta. É preciso ter um bom repertório e consciência crítica suficiente para ressignificar os modelos de comunicação. Inovar é palavra-chave. Salve a semiótica.

Corremos todos para a academia. Em busca do conhecimento científico-teórico capaz de amplificar o repertório individual. Teoria da Comunicação. Sociologia do comportamento. Psicologia do consumidor.

Em meio a isso, acreditem ou não, há aqueles que defendem que o professor perdeu sua função. Vai desaparecer. Bobagem. Bobagem das grandes. E não sou eu quem diz, são meus alunos.

Mais do que alguém para despejar dados e informações (o Google está aí pra isso), os alunos sentem falta de uma referência sólida. Alguém que possa orientar a formação do seu repertório intelectual. Alguém que apresente os fundamentos teóricos que servirão de base estrutural para a formação de todo o conhecimento.

Fundamentação teórica sobre os meios de comunicação é essencial. Vejo isso no discurso de muitos gestores de agências de publicidade. Eles buscam jovens profissionais que saibam pensar, antes de qualquer coisa. Eles próprios estão buscando uma formação teórica mais sólida.

A missão do professor é ser uma referência, não um modelo. Referência é tudo aquilo que serve de inspiração. Modelo é aquilo o qual devemos copiar e convenhamos, ninguém aceita o plágio. Nem a academia, nem o mercado.

Acredite, depois da universidade, outros professores virão. Desta vez dentro da empresa. Dentro da agência. Ao menos é isso que todo jovem espera quando entra numa grande agência. Trabalhar ao lado daqueles que são referências na profissão. Já parou pra pensar se na sua empresa/agência existem bons professores? Aqueles que inspiram e servem de referência para os jovens estagiários?

Se você consegue identificá-los, fique feliz. Sua empresa/agência tem grandes chances de sair-se bem nesse período de transição de paradigmas que vivemos. Aliás, aproveite para dar a eles uma semana de folga, afinal hoje é dia do professor.




Crédito da imagem: shutterhacks
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Publicado originalmente no portal online do jornal Meio e Mensagem, em 15/10/2012. ( http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2012/10/15/Quantos-professores-voce-tem-dentro-da-sua-agencia-.html )


Antes de implantar um SAC 2.0, é melhor arrumar aquele seu velho Call Center

Ninguém aguenta mais “estar sendo transferido para o setor responsável”.


Não sei o que me incomoda mais: ver empresas oferecendo SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) pelas redes sociais com uma presteza e qualidade infinitamente superior ao seu canal de atendimento por telefone; ou ver outras empresas que tentam reproduzir nas redes sociais a mesma metodologia de atendimento utilizada nos Call Centers.

Está tudo errado. Já disse isso antes: o erro, a meu ver, não é dar atenção especial aos canais nas redes sociais. O erro é não oferecer a mesma qualidade de atendimento nos meios tradicionais de SAC.

Quem pretende iniciar um Serviço de Atendimento ao Consumidor pelas redes sociais (o tal SAC 2.0), deveria antes rever seus canais já existentes. O modelo de funcionamento dos Call Centers é velho e ultrapassado. Não suporta a cultura do novo consumidor que exige proximidade e exclusividade em seu atendimento. Ou melhor, novo consumidor nada. Nem o consumidor da era passada ficava satisfeito com o atendimento que recebia.

Quantas vezes você já ouviu alguém reclamando por ter que repetir a mesma história sempre que é transferido para o “setor responsável”? Esse modelo de atendimento em massa, todo dividido em níveis e setores, só colabora para o afastamento da relação Marca X Consumidor. Reproduzir esse modelo nas redes sociais é um verdadeiro tiro no pé.

Preocupadas com a imagem da sua marca, muitas empresas passaram a monitorar redes como o Twitter e realizar um atendimento proativo ao menor sinal de descontentamento de um consumidor. Ótima solução para conter registros negativos, mas péssima estratégia de relacionamento, pois o consumidor logo notou que era mais bem atendido pelas redes do que pelo SAC tradicional. Viciamos o meio. Hoje é comum ver consumidores indo às redes reclamar, antes mesmo de tentar um contato com o SAC. Como disse, um tiro no pé.

Outro erro é deixar o Twitter do suporte da empresa nas mãos de uma equipe completamente despreparada e desinformada sobre os produtos ou serviços da empresa, munida apenas de uma lista de frases prontas. Sim, eu já vi isso. Confesso que deixei a pessoa falando sozinha no Twitter e continuei a reclamar muito da qualidade de atendimento da empresa.

Se você está justamente planejando a implantação de uma área de suporte ou serviço de atendimento ao consumidor nas redes sociais, tenho sugestões: crie uma nova dinâmica de atendimento e implante em todos os canais de comunicação da empresa, inclusive nas redes sociais. Evite ao máximo o distanciamento gerado por “scripts” ou níveis hierárquicos de atendimento. Dê preferência pela proximidade e atendimento personalizado.

Para isso, é preciso desenvolver uma nova estrutura e metodologia de atendimento, baseada num software de gerenciamento verdadeiramente eficiente. Quando o cliente entrar em contato, é preciso ter acesso completo e rápido ao histórico daquela pessoa. Identificar todos os detalhes dos chamados passados e quem sabe até antecipar o motivo da ligação.

Ter a possibilidade de retornar a ligação para a empresa e ser atendido pela mesma pessoa que o atendeu em outras ocasiões deve ser o sonho de todo cliente de operadora de telefonia.

Além disso, surpreender pode pegar bem. Saber mesclar o atendimento passivo com um suporte ativo pode conquistar e fidelizar. Ligar de volta ao cliente para conferir se as dificuldades foram sanadas ou numa época do ano em que sejam grandes as chances dele precisar dos seus serviços. Mais uma vez, antecipar o contato pode ser a chave.

Quem acompanha meu cotidiano pelas redes sociais sabe das críticas que tenho em relação ao serviço de atendimento ao consumidor prestado por algumas marcas. Em geral, minha reclamação não está relacionada à qualidade do serviço ou do produto, mas exclusivamente ao atendimento prestado pela empresa. Uma pena ver grandes empresas queimando a imagem de suas marcas exclusivamente por causa do seu Call Center.

Cuide para que a gestão da comunicação com os consumidores tenha o seu devido valor dentro da organização da sua empresa. Ela é tão importante quanto a qualidade do serviço ou do produto oferecido.



Crédito da imagem: kugel
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Publicado originalmente na coluna da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXIII, núm.: 1515, pág. 08. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 25/06/2012.  

Quer um convite para o Info@Trends 2012?

Boas novas: a Nextel ofereceu-me convites do Info@Trends para presentear dois leitores do blog e-Code!

“A Nextel (e o blog e-Code) me levam para o Info@Trends”


O Info@Trends é um evento realizado anualmente pela editora Abril. Este ano a Nextel é um dos patrocinadores do evento que terá entre seus palestrantes, John Sculley, ex-CEO da Apple que, em 1985, foi um dos responsáveis pela saída de Steve Jobs da Apple.

A programação do evento interessa a todos que estudam Comunicação e procuram acompanhar as tendências da tecnologia na comunicação. Os participantes terão oportunidade de ouvir Federico Casalegno (diretor do Laboratório de Experiências Móveis do MIT), Sérgio Chaia (presidente da Nextel), Pedro Dale (Social Media Manager da Coca-Cola), entre outros.

O evento acontece nesta quinta (21/junho), no WTC Convention Center, em São Paulo. Para escolher os dois leitores do blog e-Code que ganharão o convite, faremos a seguinte mecânica:


Mecânica: 
- Você deve publicar uma frase no seu twitter que diga por que você é geek e merece ganhar um ingresso para o Info@Trends, mencionando os perfis @EricMessa @NextelClube e utilizando a hashtag #infotrends2012

- Os participantes concorrerão a dois (2) convites avulsos para o evento “Info@Trends”, na cidade do São Paulo, no dia 21/06/2012.

- A frase deve ser publicada até 18h desta terça-feira (19/06/12).

- A escolha das melhores frases será feita pelo Eric Messa e uma comissão julgadora da Nextel, que avaliará os critérios de criatividade e adequação ao tema.

- Os dois ganhadores serão anunciados nesse mesmo post, na quarta-feira.

- Clique aqui para ver o regulamento completo.

Boa sorte! :-)

[update 20/06/12] Já temos os ganhadores!

Acabei de receber da Nextel os dois nomes dos ganhadores do convite para participar amanhã do Info&Trends. São eles: Raquel (@raquel_ed) e o Hugo (@hugocarvalho). Parabéns!


Enviarei mais instruções aos ganhadores via DM no Twitter. Parabéns e obrigado a todos pela participação. Fiquem de olho no blog, sempre que tiver oportunidade farei outras ações como essa!


É fácil falar...

Difícil é aprovar campanhas inovadoras.


É muito fácil ficar aqui sentado na frente do notebook escrevendo artigos, posts e tweets reclamando que o digital ainda não foi devidamente integrado às campanhas de comunicação. Também é fácil afirmar que esse papo de on e off é velho; e que agência digital deveria deixar de existir, pois toda e qualquer agência deveria criar ações integradas, sem muita diferenciação entre o que é, ou não, digital.

Pois bem, tudo isso é verdade, mas falar é fácil. Colocar em prática é outra coisa. O grande problema é que trabalhar sob essa ótica exige uma nova forma de pensar dos profissionais de comunicação. Demanda uma mudança cognitiva que permita compreender o mundo a partir de outro paradigma.

Nem digo que a barreira a ser vencida esteja dentro das agências, mas talvez das próprias empresas-clientes. Nas agências todos já estão preocupados em alcançar esse novo olhar para a comunicação. Nas empresas parece que ainda não.

Fico abismado quando ouço falar em agências convidando especialistas de diferentes áreas­ da tecnologia/comunicação para conferir palestras para o board de executivos do seu cliente.

Não acredito que as agências — ainda — precisem se ocupar em formar a cultura digital das suas empresas-clientes. Diretores de marketing que não conhecem os formatos publicitários do Facebook nem sabem os recursos existentes para estimular a propagação espontânea? Ainda existem executivos assim? Não sabem a diferença entre código QR e Realidade Aumentada?

Pois é, parece que essa é a realidade de muitas empresas no Brasil. E não me venha com o discurso de que isso só acontece porque eles são da geração X, Baby Boomer ou Hippies. Não me interessa o que eles fizeram em 1969. Interessa-­me o que estão fazendo agora para incorporar o paradigma da era digital em suas vidas profissionais. Dizer que só os jovens são capazes de compreender esse novo mundo digital é balela.

De fato, ficar aqui criticando é fácil. Encarar o mundo a partir de um novo paradigma, não. É preciso manter-se atualizado, observar as tendências e vivenciar as novas tecnologias para que, com o tempo, as tais mudanças cognitivas que citei antes comecem a aflorar.

Os executivos das empresas não deveriam jogar essa responsabilidade somente para suas­ agências. Se você é gestor da área de comunicação, marketing ou relacionamento de uma empresa, e deseja inovar e otimizar sua verba de comunicação, sugiro que assuma as seguintes responsabilidade para si:

- Em vez de pedir para que sua agência faça uma apresentação para os diretores da empresa sobre as novidades que rolaram no Festival de Criatividade, por que não ir você mesmo, e seus colegas, lá para Cannes?
- Uma semana de imersão no Cannes Lions, sem dúvida alguma, é uma excelente forma de estimular novos processos cognitvos no cérebro.
- Deixe a comodidade da poltrona do escritório e participe de eventos como o SXSW no Texas ou o PicNic em Amsterdã. Caso não saiba o que é SXSW ou PicNic, considere isso como um sintoma do que tento dizer aqui. Faço questão de não explicar e convidá-lo a pesquisar no Google.

Mais uma vez repito. Não delegue essa função para o criativo da sua agência de publicidade. É você quem deveria sair desse lugar cômodo (e ultrapassado). Este ano vi campanhas executadas durante o Carnaval que possuíam um potencial enorme para gerar dezenas de desdobramentos, propagação nas redes, ações de branded content, etc. Porém, nada disso rolou. E tenho certeza de que não foi falta de criatividade das agências responsáveis, mas provavelmente falta de visão e coragem para inovar dos responsáveis pelas marcas.



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Publicado originalmente na coluna da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXIII, núm.: 1503, pág. 08. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 02/04/2012.