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Havainas também faz comunicação relevante: Álbum Especial da Copa 2010

Na mesma edição da revista Veja citada no post anterior, aparece uma campanha da Havaianas em que fica evidente a preocupação com a oferta de um conteúdo relevante para atrair a atenção e ampliar o impacto da marca sobre o leitor.


Aproveitando a febre do Álbum da Copa, a Havaianas encartou na Veja (e também em outras revistas da Abril) um álbum especial de figurinhas da Copa que apresentam a linha especial de chinelos "Havaianas Team".

Detalhe para a estratégia de mídia: para conseguir mais envelopes de figurinhas para completar o álbum, é necessário acompanhar as edições do jornal Destak, ou levar o álbum até uma das lojas Havaianas.

Há também um hotsite da campanha "Havaianas Teams", com mais informações sobre a distribuição do álbum e das figurinhas: www.havaianas.com/teams


Comunicação interativa na revista Veja

A revista Veja é uma das mídias mais tradicionais da publicidade brasileira. Ela tem o mesmo impacto na publicidade impressa que a TV Globo tem na publicidade audiovisual.

Muitas das importantes campanhas publicitárias são veiculadas na Veja. Ela já foi palco das mais diversas inovações que fazem parte dessa nova geração da publicidade.

A técnica da Realidade Aumentada ou a aplicação do Código QR já apareceram na Veja em peças da GM, Claro, Citroën, entre outras. Na edição desta semana foi a vez da própria revista fazer uma ação de branding repleta de novas tecnologias que aproveita a temática da Copa Do Mundo.

Essa é uma ação que exemplifica o valor da relevância do contéudo oferecido pela marca. O Guia da Copa, encartado na edição impressa, é apenas o ponto de partida. Há ainda todo um conteúdo digital que utiliza diversas tecnologias:

- Realidade Aumentada: ao apontar para a webcam o selo impresso na capa da revista, um vídeo do goleiro Júlio César aparece no lugar do selo, em que ele apresenta o hotsite da Copa. Além disso, o guia impresso traz outros selos espalhados pelas matérias que quando apontados para a webcam, acionam vídeos que complementam as reportagens.

- Reconhecimento de face e movimentos: o hotsite traz outros dois recursos de interatividade aplicada à webcam. Em uma delas a interface reconhece a face que aparece na frente da câmera e aplica uma das camisetas oficiais da seleção sobre o corpo da pessoa. Já o recurso de detecção de movimento é utilizado num jogo em que você é o goleiro que deve defender pênaltis levantando a mão direita ou a esquerda.



- Reconhecimento de som: há ainda outra aplicação no hotsite em que é possível ouvir as diferentes cornetas já utilizadas durante as copas do mundo. Mas para ouví-las, é necessário assobiar no microfone.

NET Digital HD e Samsung: quando a comunicação falha e o consumidor é enganado [updated]

Mais uma vez cedi espaço no blog para um convidado. Agora foi a vez da Daniela de Sá, que abaixo relata um caso particular em que fica evidente o descontentamento de um consumidor.

Casos como esse são bons para mostrar a importância de uma comunicação clara e comprometida com o consumidor. A falta de informação nas peças publicitárias pode causar erro de julgamento e até mesmo prejudicar a imagem da marca. Segue o relato:

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Quero contar minha experiência com duas marcas fortes no mercado, e questionar a credibilidade dos meios de comunicação e das propagandas publicitárias.

O dia das mães estava chegando e meu pai, que sempre contribui com um presentinho extra, não tinha a menor idéia do que comprar. Fortemente influenciados pelo comercial da Samsung em parceria com a NET HD, fomos na Fast Shop e adquirimos duas televiões, uma de 40″ e outra de 42″.

O texto da comunicação da promoção Samsung e a NET diz o seguinte:

"Reunir os amigos e a família para assistir aos jogos da Copa do Mundo é um dos programas preferido dos brasileiros. E para isso, todos querem ter a melhor qualidade de som e imagem possível. Vendo este cenário como uma ótima oportunidade, a Samsung e a NET firmam uma parceria inédita no país.

Quem comprar uma TV Full HD Samsung com tela a partir de 32” e se tornar um assinante NET HD, ganha três meses de assinatura grátis do pacote NET Digital HD ou NET Digital HD Max. Além do desconto na mensalidade de TV por assinatura, clientes que assinarem o Sócio PFC ganham também três mensalidades grátis desse serviço e poderão conferir todos os lances do Brasileirão 2010. Para esta opção, o desconto total é de até R$ 1.112,00, dependendo do pacote NET HD escolhido.

Com a nota fiscal em mãos, o cliente liga para 3003-7733 (telefone exclusivo para a promoção), fornece os dados e escolhe o pacote NET Digital HD ou NET Digital HD Max que preferir. Aí é só acompanhar os jogos com a melhor qualidade de som e imagem disponíveis atualmente. A promoção vale até 21 de julho."

Passado o dia das mães, ligamos para o telefone da promoção e o atendente disse que ela se restringia à aparelhos adquiridos nas Casas Bahia e no Ponto Frio. Assisti novamente o comercial e não encontrei nada que constatasse essa cláusula. Tinha certeza que encontraria alguma coisa naquelas letrinhas minúsculas que geralmente aparecem no canto da tela, mas não tinha nada mesmo.

Veja abaixo o comercial da promoção:








Também tirei um print do regulamento da promoção, e do site da Samsung. Repare o artido 1.3 no regulamento da promoção:





Conclusão: os comerciais deveriam passar por um controle para não dar margem a uma interpretação errada. As marcas são fortes, a propaganda é boa, e a ideia melhor ainda. A única informação que consta é "consulte condições de aquisição", porém acredito que qualquer um concordaria que falta mais clareza na informação. Na minha opinião houve má fé por parte dos participantes, e a imagem das empresas fica desgastada por conta disso.


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OBS: Caso as marcas envolvidas tenham interesse em expor sua versão sobre o caso, este blog está aberto para publicá-la, assim como fiz em situações semelhantes anteriormente.




[ updated 31/05/2010 ] Resposta da Samsung Brasil
No mesmo dia em que esse post foi publicado, a Edelman, Agência de Comunicação Online da Samsung, deixou um comentário aqui no blog, lamentando o ocorrido e esclarecendo que a promoção não é restrita aos aparelhos vendidos na Casas Bahia. Aparentemente, foi uma falha de comunicação da NET.

Ainda no final do dia a Daniela Sá foi atendida pela Samsung e NET e ganhou o desconto na assinatura do pacote NET Digital HD.

Com a conclusão deste caso fica claro então que não foi um erro das peças de comunicação da promoção, mas uma falha de comunicação interna, pois os atendentes da Net não estavam bem informados sobre as condições desta promoção.

Dá-lhe call center!

O futuro da publicidade: Rider - Curta o Caminho

A publicidade do futuro será direta, one-to-one, personalizada e relevante (foi inclusive essa a minha resposta para o questionamento que o Felipe Anghinoni fez em um post do blog da Perestroika).

A prova disso é que já vivemos hoje, uma fase de experimentação. Claro que a dificuldade de aplicação em massa desse modelo de comunicação one-to-one, só permite ações personalizadas quando o público alvo é pequeno.

Hoje recebi em casa um material da Rider que exemplifica muito bem essa ideia de personalização e relevância.

Antes mesmo de abrir o envelope, notei que no material gráfico já constava meu nome, dizendo: "Eric Messa, curta o caminho".

Dentro do envelope havia um enorme imã de geladeira, com um mapa indicando a exata localização do meu prédio e também de diversos bares, restaurantes e outros locais de lazer e cultura que encontram-se no entorno de onde moro. A mensagem por trás é a seguinte: "explore sua região, aproveite os serviços que ela tem para oferecer, e claro, vá de Rider".

A relevância, obviamente, está no conteúdo da peça publicitária. É um mapa de serviços, oferecido pela Rider. No texto aparece: "The Ride. Blog e-Code. Eric Messa, curta o caminho".

Uma publicidade daquelas que não se jogo fora, pois ficará exposta dentro de casa por um longo período. Qual marca não gostaria dessa exposição? A ação é da agência Gringo e RP com blogueiros feito pela Remix Social Ideas. Um bom exemplo de planejamento criativo.


É claro que uma comunicação como essa ainda é restrita a situações que envolvem, por exemplo, estratégias de mídias sociais. Ou seja, seleciona-se um grupo de influenciadores do meio, e estes são impactados por propagandas inovadoras como essa. A intenção é que a ação seja atraente o suficiente para estimular que estes influenciadores propaguem a mensagem espontâneamente.

Mas com o avanço da tecnologia, em breve a comunicação personalizada e relevante poderá ser aplicada a todos os potenciais consumidores da marca e não limitada somente a um pequeno grupo.

OBS: Faz parte da campanha também, uma área do site da marca em que qualquer visitante pode indicar o local onde mora ou indicar trajetos de passeios para consultar os serviços existentes no entorno: www.rider.com.br


Quem mais postou:
Moda para Homens: The Ride | Curta o caminho
Update or Die: Curta o caminho com a Rider


O virtual como uma dimensão do real

Abaixo o artigo de um convidado especial, o professor Ronaldo Entler. Durante uma conversa, ele trouxe uma reflexão interessante sobre a construção de uma reputação baseada em retwits e opiniões alheias. Convidei-o a escrever esse post. é longo, mas vale refletir sobre o assunto:
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O virtual como uma dimensão do real

Nas redes sociais, as pessoas constroem representações de si mesmas. Nenhuma novidade. Fazemos isso sempre, seja em ambientes físicos ou virtuais, pois assumir papéis é parte desse jogo simbólico que chamamos de cultura. Eu enceno o papel de professor quando estou no trabalho, de marido quando estou em casa, de filho quando visito meus pais... São pequenos contratos que fazemos, não significa que somos falsos. Somos naturalmente virtuais, a somatória de “seres possíveis” que podemos representar. O virtual é a “capacidade”, uma “disponibilidade”, portanto, uma dimensão da realidade. Essas representações nas redes podem se construir de modo autêntico no embate entre uma expectativa que recai sobre nós e um potencial que temos verdadeiramente. A questão é: essas representações têm lastro?

Emprestando uma imagem da economia
O dinheiro é a representação de uma riqueza que, supomos, existe em algum lugar como lastro. Pode ser, por exemplo, uma quantidade de ouro guardada num cofre. Mas pode ser também o ouro que se espera ter, a partir de uma capacidade produtiva demonstrada. O dinheiro faz circular simbolicamente a riqueza que já se possui mas, também, o potencial de conquistá-la.
No capitalismo tardio esse potencial se torna mais importante do que a riqueza efetivamente acumulada. O que circula é basicamente a “promessa” de um valor. E o que sugere a disponibilidade desse valor? A própria circulação. É portanto um jogo tautológico, auto-referente. Quanto mais se confia na promessa, mais vale o papel: ao acreditar nele e comprá-lo, incremento tanto sua credibilidade quanto seu preço; daí, alguém compra de mim um pouco mais caro, e assim sucessivamente. No final das contas, o valor não tem a ver sequer com a promessa de riqueza, mas com a promessa da própria circulação do papel.
O problema disso nós conhecemos bem: de repente, alguém comete um deslize que abala a credibilidade de todo o sistema, a circulação emperra e a gente se lembra que o que temos na mão é só um pedaço de papel, sem lastro.

Redes sociais
Espera-se que toda representação tenha um lastro: uma assinatura num documento deve estar amparada na vontade de dizer aquilo que está registrado, notícia deve estar apoiada nos fatos, deve existir “alguém” por trás de um “perfil” criado numa rede social.
Esse perfil pode ser uma tentativa de descrever aquilo que se é ou aquilo que alguém acredita poder se tornar. É preciso diferenciar a idealização da mentira. As redes constituem um bom lugar para exercitar potenciais que, por razões várias, não realizamos em outros lugares. Desse modo, o que chamo de “perfil” não é apenas uma ficha cadastral, mas uma identidade que se desenha aos poucos nas capacidades que se realizam na própria rede. Essa pode ser uma experiência incrível. Ao colocar em circulação e confrontar pensamentos e experiências de muitos interlocutores, posso checar minhas idéias e crenças e, assim, produzir uma imagem de mim mesmo determinada tanto pelas influências que recebo quanto pelas minhas potencialidades. É possível ser mutante e ser autêntico, “tornar-se o que se é”, como disse Nietzsche.
Mas como manter um mínimo de consciência sobre essa representação? Isso exige a difícil tarefa de “checar-se” em pleno movimento das interações: o que acesso, a que me filio, a quem me conecto, o que digo, repasso ou indico, qual o percurso que meu nome e minhas manifestações tomam... Tudo isso constrói representações cada vez mais difícil de apreender, por conta da velocidade, da fragmentação e da dispersão das informações que faço circular. Mas, sobretudo, porque não há necessariamente uma identificação entre o que sou (mesmo potencialmente) e o que faço nas redes. Garantir o movimento é mais importante do que compreendê-lo. Ao contrário, tentar mapeá-lo pode resultar no pecado da desaceleração.
Também aqui a circulação se torna o próprio valor. Na média, o que vemos é uma situação em que não importa tanto confrontar meus esboços de pensamento com os de alguém. O que importa retransmitir uma informação assim que ela me chega, dar um retwit, reproduzir um post, criar um link, encaminhar uma notícia, sem precisar assumir responsabilidades sobre o que é dito. A reputação de alguém nas redes tem a ver com a capacidade de se tornar um nó importante, um multiplicador, um ponto de aceleração dessa circulação.

Crise de identidade
Quando buscamos um “perfil”, já não encontramos um rosto, uma identidade, uma opinião, uma ideologia, uma crença. Encontramos só um lugar de passagem de coisas muito variadas. Quando sigo, acompanho, me conecto a alguém nas redes, não preciso saber de quem se trata, é só uma questão de cerificar sua reputação pelo fluxo que consegue garantir. Internamente, o jogo funciona: você cumpre essa velocidade, conquista conexões, amigos, seguidores. É uma forma de poder, de capital conquistado, mas sem o referido lastro.
O problema surge quando alguém é testado naquilo que supostamente conquistou, quando alguém aponta para você e o requisita como indivíduo. As idéias transmitidas nesse fluxo não representam o sujeito em suas potências, o conjunto de seus “possíveis”. A identidade que resulta é amorfa. Sem o devido engajamento com aquilo que é dito, as informações são apenas pretexto para a circulação. Assim como seus papéis na bolsa, aquilo que supostamente se acumula pode não se transformar numa resposta efetiva na hora que você precisa dela.
Não é difícil perceber que muitos jovens padecem de uma falta de assertividade quando uma questão é dirigida a eles. Uma pergunta é respondida com um conjunto de outras perguntas tateantes, às vezes contraditórias, tipo “será tal coisa? Ou será tal outra coisa? Acho que deve ser assim. Ou não”. Uma fala desse tipo pode até parecer poética. Ou ética: não afirmar nada pode parecer um modo de garantir o respeito à opinião do outro. Mas é resultado de uma dinâmica em que as manifestações de um sujeito não são necessariamente uma tomada de posição diante das coisas, nem mesmo o ensaio de papéis potenciais.
Sem dúvida que há nas redes pessoas mais seguras e criativas. As metodologias que estabelecem parâmetros para atuar junto a esse público distinguem claramente alguns – uma minoria – que se destacam por produzir e veicular idéias próprias, pessoas que se tornam fontes, referências. Quando são sociáveis, ágeis e ligados nos temas em voga, são assediados pelas corporações e agências. Há outros que se destacam pelas conexões que acumulam e pelo poder que tem de difundir as idéias alheias. São importantes, acabam por merecer agrados. É possível lidar com eles por meio de estratégias promocionais, não é preciso sequer saber seus nomes. Mesmo que tenham alguma capacidade de seleção, este usuário se torna uma espécie de trabalhador braçal de uma atividade que deveria ser essencialmente intelectual: a comunicação. Por fim, esses métodos ainda distinguem uma massa desumanizada que funciona como o combustível, dando impulso a movimentos que não precisam compreender.
Não acredito que essa massa de jovens seja vazia, que não pense em nada, que não acredite em nada. Eles estão apenas apartados das linguagens que deveriam representá-lo. Eles têm dificuldade de encontrar uma imagem para si mesmo. O resultado é uma forma de violência. Seria absurdo culpar as redes pelo nível de incidência de síndromes emocionais, pânico, bipolaridade, bulimia etc. Mas vale observar certa sincronia. Por exemplo, o que é olhar-se no espelho e sentir-se gordo (quando se é um esqueleto), senão uma dificuldade em se ver representado no próprio corpo. O mesmo acontece com a própria fala, os próprios twits, posts...

Responsabilidade emocional
Aparentemente, o capitalismo está se esforçando para fazer uma crítica aos seus movimentos desenfreados. Cobramos das economias e dos mercados um desenvolvimento sustentável, garantindo a sobrevivência da natureza, da dignidade humana e das poucas riquezas que acumulamos com nosso trabalho.
Alguém ainda vai ter que se preocupar com a possibilidade de construir também em nossa comunicação um fluxo sustentável. Caso contrário, viveremos no plano emocional colapsos semelhantes àqueles que vemos no âmbito da ecologia, dos direitos humanos, da economia...
As possibilidades de comunicação trazidas pelas redes são uma benção. Ferramentas como Orkut, Facebook, Twitter garantem as conexões entre pessoas e a circulação das informações, e outras ferramentas conectam e compatibilizam as várias redes. Mas ainda falta algo que ajude a geri-las, garantindo a produção de sentido e seu vínculo com possíveis identidades.
Será que existe uma ferramenta capaz de dar um contorno ao perfil de um usuário da rede? Não uma ficha cadastral, tampouco uma demonstração estatística da reputação (quanto de informação, de conexões, de circulação...). Penso em algo mais humano. Assim como alguns serviços estão tentando identificar rostos em fotos, talvez elas pudessem detectar traços de emoção, personalidade, ideologia nas ações de um indivíduo nas redes, para dar um desenho mais efetivo – mesmo que em constante mutação – ao seu perfil. Por exemplo, deveria existir alguma coisa que me ajudasse a perceber que posso estar sendo contraditório quando defendo os direitos humanos e, ao mesmo tempo, ajudo a linchar publicamente um suspeito que ainda não foi julgado. Ou que me lembrasse que estou em consonância com esta ou aquela tradição do pensamento, quando transmito uma informação. Ou que me dissesse por onde passa aquilo que eu digo ou retransmito, mapeando não só os lugares, mas as idéias às quais meu nome se liga quando se perde na rede. Uma ferramenta mais ou menos do tipo: “me diga a que se conecta e eu te direi quem és!” Na prática, não dirá, mas ajudará a trazer um pouco de consciência às representações que posso construir, a dar lastro ao perfil que se forma a partir de minhas ações, ou permitirá uma correção de rumo quando essas ações parecerem contraditórias ou descoladas de meus potenciais.
E as empresas... Acho legítimo uma empresa perguntar a uma agência como comunicar um valor que, de fato, possui. Mas acho absurdo perguntar a uma agência que valor deveria ter. Como pode um valor nascer num brainstorm e, no dia seguinte, pertencer ao DNA da empresa? Valor é algo que se tem, talvez algo que se cultive, mas não algo que se encomende (ver artigo de referência). Ou seja, também as instituições têm pela frente questões sobre a sustentabilidade de suas identidades. Pelo menos, elas estão mais aparelhadas no que diz respeito às possibilidades de mapear as impressões que deixam rede afora.

Uma ponta de otimismo
Estou balizando minhas cobranças nas boas experiências que tenho encontrado nas redes. Este espaço é uma delas. Tanto no meu trabalho quanto nas minhas relações pessoais, a internet tem ocupado um espaço significativo. Encontrei interlocutores definitivos e fiz amigos de verdade. Um blog que comecei recentemente tem sido uma das experiências mais produtivas da minha vida.
Mesmo que eu recorra a um vocabulário conservador, gostaria de resgatar a noção de virtualidade das mãos de pensadores apocalípticos. O virtual é sim uma dimensão da realidade, assim como a rede é uma dimensão de nossa sociedade. Só é preciso não se perder nesse espaço e em sua nova velocidade. Em meio à pressão de tantos movimentos quase espontâneos, é preciso garantir também a expressão, isto é, os movimentos lastreados por uma consciência.

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Ronaldo Entler é professor da FAAP/SP na Faculdade de Comunicação e Marketing e Faculdade de Artes. Também é coordenador dos cursos de pós-graduação na área de Comunicação e Martketing. Graduado em Jornalismo pela PUC-SP, mestre em multimeios pelo IA-Unicamp, doutor em artes pela ECA-USP, pós-doutor em multimeios pelo IA-Unicamp. É professor visitante no Programa de Pós-Graduação em Multimeios do IA-Unicamp e desde 2006, tem realizado consultorias para desenvolvimento de pesquisa de tendências de mercado e branding.