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E quando aprendermos a utilizar toda a informação do Facebook?

Imagine um agregador de e-commerce com acesso ao seu perfil nas redes sociais.

A peça interativa mais recente que vi, foi do clipe “Lost in the echo”, da banda Linkin Park (www.lostintheecho.com). Para assistir é preciso autorizar o acesso à sua conta do Facebook. Suas fotos e de seus amigos são imediatamente inseridas no filme do clipe. Qualidade de produção e pós-produção, excepcionais. Filme personalizado interativo. Randômico. Impossível reproduzir em outro meio, já que cada vez que é executado, o resultado é diferente. A reprodução na TV só conseguiria mostrar uma parte do todo.

Interessante, mas confesso que esperava mais, bem mais. Afinal, estamos em 2012. Já aprendemos bastante sobre redes sociais e sobre o quanto estamos expondo informações de nossas vidas em canais como o Facebook, Twitter e Instagram. “Eu sei o que você fez no verão passado” foi o título de um artigo que escrevi ano passado tratando desse assunto.

Em 2010 até a dupla Zezé Di Camargo e Luciano já brincou de inserir no clipe musical a foto de quem assiste pela web (www.zezedicamargoeluciano.uol.com.br/clipe). Ou seja, no clipe do Linkin Park, de inovação não há muita coisa, apenas um grande avanço na qualidade dessas produções interativas.

Aliás, quem gostou de ver no clipe, fotos do seu Facebook, deveria conhecer o “I’m a Star”, campanha da rádio pública sueca Radiotjänst, que insere não apenas uma foto sua, mas vídeos gravados na hora, usando sua webcam. Com certeza uma experiência diferente, vale a visita antes que a campanha termine: www.blistjarna.se.

De volta ao meu ponto de discussão, acredito que poderíamos produzir conteúdos mais complexos, usando muito mais do que apenas as fotos do Facebook. Com a devida autorização do usuário, ganhamos acesso a um mundo de informação sobre seu cotidiano. Imagine o quanto é possível conhecer sobre uma pessoa, lendo tudo o que ela já escreveu em seu mural?

Outro ponto: se você considerar que o maior objetivo da publicidade é, afinal de contas, comunicar a existência de produtos ou serviços, para potenciais consumidores, você vai concordar comigo que as redes sociais estão ajudando a publicidade como nenhum outro meio foi capaz.

Quem trabalha com publicidade online em redes sociais sabe do que estou falando. Como bem disse Guilherme Horácio, da AgênciaClick, hoje o executivo de mídia desenvolve estratégias baseadas em compras de “comportamento”, e não mais “segmentos” do público.

Se há uma revolução no ambiente de trabalho do publicitário, o mesmo acontece no dia-a-dia do consumidor. Devemos ficar de olho nisso. O processo de compra online já evoluiu bastante ao longo da última década. Romero Rodrigues foi responsável por uma dessas evoluções. O Buscapé facilitou a vida do web shopper ao agregar em seu portal, ofertas de diferentes lojas online, classificadas por ordem de preço e nível de confiabilidade.

Estamos para entrar numa nova fase. Imagine que além de reunir ofertas de diferentes lojas, o agregador de e-commerce possa acessar sua conta do Facebook para descobrir seus interesses, gostos e costumes; e a partir de um algoritmo web-semântico, o sistema seja capaz de colocar em destaque, produtos que talvez você nem conheça, mas que – muito possivelmente – venham a ser do seu interesse. Ele vai conferir o que você escreveu no seu mural. Marcas que você citou no Twitter. Vai conferir fotos de produtos publicadas no Instagram. Que tal?

O Curtix é uma start-up de jovens brasileiros com potencial para trilharem o mesmo caminho de Romero Rodrigues. Ainda é um projeto em fase experimental. Porém, mesmo com poucas semanas de vida, já é possível ter uma ideia do potencial desse projeto. Vale a experiência de entrar no site e ver produtos recomendados a partir dos dados que foram colhidos do seu Facebook. É assustador, mas provavelmente fará parte do dia-a-dia do web shopper no futuro: www.curtix.com.br.

É melhor já ir pensando, como você vai conseguir destacar o seu produto, num ambiente desses. Ou se preferir, você também pode ir pensando num novo emprego. A vida de publicitário não é fácil.






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Publicado originalmente na coluna da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXIII, núm.: 1527, pág. 08. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 17/09/2012.