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Redes Sociais não são espaços para expor "o que você está fazendo agora"


Redes Sociais são espaços para compartilhar ideias, pensamento e experiências de vida. É isso que muitas pessoas ainda não entenderam.


O título e o subtítulo desse post faziam parte de uma frase que lancei no Twitter e no Facebook. Geraram uma boa discussão e por isso, resolvi ampliar a reflexão aqui no blog.

Inclusive porquê frases curtas e diretas muitas vezes acabam não sendo completamente explicativas e possibilitam interpretações diferentes daquelas que o autor pretendia.

Pois voltando ao tema, é claro que o questionamento "o que você está fazendo agora?" foi o grande atrativo das redes sociais. Daí que as redes nasceram e sobrevivem até hoje. Das publicações do cotidiano de cada indivíduo.

Muitos entram nas redes sociais para participar desse jogo de autoexposição, mas o fato é que o amadurecimento dentro das redes vai ensinando que a dinâmica desse espaço de social, na realidade, não se trata de um exibicionismo futil, mas de uma imersão no paradigma da colaboração e do compartilhamento.

Entro aqui numa seara que não é a minha. Alguém com mais conhecimento sobre sociologia poderia fazer aprofundamentos melhores. Vou tentar manter o discurso no campo da Comunicação. Quem sabe um dia tomo coragem e assim como o Gil Giardelli (@gilgiardelli), e tento embrenhar-me no ramo da Sociologia.

O caso é que as redes nasceram para amplificar nosso potencial de compartilhamento de ideias e experiências de vida. É lá que jogamos conversa fora, mas em meio disso, levantamos questões importantes, debatemos com os amigos e também com desconhecidos. Damos vida a uma conversa coletiva que nunca tem fim. Isso é o Twitter, o Facebook, etc.

Lá trocamos opiniões sobre o melhor do entretenimento e da cultura. Lá compartilhamos furos de notícias e espalhamos com uma velocidade enorme, qualquer fato que seja de interesse geral.

É lá afinal, que estamos construindo uma nova consciência social e global. Vejam só o tamanho e o valor disso tudo. E tem gente que não entendeu isso, e continua achando que Twitter é lugar de gente egocêntrica e exibicionista.



O fútil pode ser útil?
Outra questão que considero bastante difícil é a avaliação crítica sobre cada um dos registros que um indivíduo publica. Seus pensamentos, suas fotos, os lugares que frequentou. São de interesse geral? Ou particular?

Já ouvi pessoas criticarem o que o "outro" publicou. Porém há um ponto a se considerar: o que é futilidade para você pode não ser para outras pessoas.

Não quero cair numa visão relativista exagerada, em que não há certo ou errado e tudo "depende do referencial"; mas o fato é que estamos experimentado uma revisão do nosso comportamento social. Por isso acredito que essa seja uma reflexão voltada mais para a Sociologia do que qualquer outra área.

Vou tentar ilustrar. Quem está imerso no mundo do compartilhamento entende que publicar a foto do prato de um determinado restaurante é uma forma de dar dicas e recomendações. Assim, redes como Foursquare podem se tornar, definitivamente, bons guias de estabelecimentos da região, com conteúdo e avaliações fornecidas pelos próprios consumidores.

Já quem vê tudo isso do lado de fora desse paradigma, acha uma grande bobagem dizer "o que você está fazendo agora".

Estamos testando não só um novo canal de comunicação, mas também de relacionamento social.

Outro dia alguém reclamou daqueles que registram "bom dia" ou "boa noite", ou simplesmente dizem "cheguei", ou comentam o clima da sua cidade. Oras, essas intervenções podem possivelmente estarem cumprindo uma função fática dentro do processo de comunicação. Fazem o mesmo papel de quando dizemos "Alô" no telefone. De fato, não servem para nada, mas anunciam a nossa presença, o nosso interesse em entrar na conversa.

No entanto, não vou negar, há de fato muita bobagem publicada nas redes sociais, não tenho dúvidas disso; mas para determinadas situações fico pensando se nós é que não somos críticos demais. Talvez seja necessário um pouco mais de paciência e parcimônia na intolerância com o outro. Ele tem o direito de publicar o que bem entender, assim como você tem o direito de acompanhar, ou não, o dia-a-dia daquela pessoa.

Mais uma vez, repito: o que é futilidade para você pode não ser para outras pessoas. Temos que considerar diversos fatores, inclusive as diferenças sociais e de faixa etária; que num espaço como as redes sociais, acabam se misturado.

O que é popular, não deve ser menosprezado. É ele que engrossa a cultura da nossa sociedade. Se você quer entender as características de um povo, deve olhar para o que é popular.

Minha suposição é a de que estamos renegociando nossa relação social. Muito do que antes era mera futilidade, futuramente será considerado como uma forma de compartilhar experiências de vida. Observar os passos do "outro" também é uma forma importante de aprender valores sociais.

Afinal, cada publicação acaba fazendo parte de uma conversa maior e coletiva. De como agir, se comportar e viver com ética, nesta nova sociedade em rede.

OBS: E apesar das críticas que recebi por conta do título deste artigo, quem leu por completo deve ter notado que no fundo, o que quero colocar é que ao publicar nas redes "o que você está fazendo agora", você está fazendo algo além disso, está compartilhando uma "experiência de vida".

Há aqueles que criticam publicações como o exemplo abaixo. Eu prefiro interpretar a imagem como uma forma de compartilhar um momento e sugerir uma experiência que vale a pena ser vivenciada.