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Facebook, Timeline e a Era da Exposição


A nova interface do Facebook vem repleta de mudanças na forma como o sistema relaciona e trata as informações dos usuários, mas no final das contas, a mudança que realmente é visível a todos os usuários é a interface do perfil de cada usuário, chamada de Timeline.

A grosso modo, nada muda além do layout, afinal, todas as informações que aparecem ali já foram publicadas pelo próprio usuário ao longo do tempo.

Mas provavelmente o impacto será grande quando o usuário ver, pela primeira vez, sua própria Timeline. A impressão de super-exposição é quase inevitável.

Não digo com isso, que a reaçāo será negativa. Muito pelo contrário. Logo todos se acostumarão com o novo perfil e gastarão horas das suas vidas, preenchendo as lacunas da sua "timeline virtual".

Ponto crucial: Timeline é mais uma constatação de que vivemos uma "Era da Exposição". Já disse isso várias vezes, e tudo o que vejo só reafirma essa minha teoria.

A "Era da Imagem" e sua supervalorização evoluiu para um desejo de se mostrar e expor publicamente a vida privada. Vide os programas de reality-show.

As redes sociais potencializaram essa exposição que já era natural do ser humano. Recursos como a Timeline promovem uma mudança dos limites sociais que separam o público do privado.

Estamos constituindo uma sociedade da vigilância, semelhante às ideias de Foucault, porém agora o modelo do panóptico é social e colaborativo. A sociedade vigia a si mesma, através das redes sociais. O "grande irmão" (de George Orwell), no final das contas, somos nós mesmos.

Há um novo sentido para o uso do termo "Panóptico Social". Ninguém mais pode fazer qualquer coisa que não seja socialmente aceita, pois afinal, há sempre algum "amigo" observando.



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[UPDATED 14/10/2011]  
Uma breve ilustração

Hoje vi no Facebook alguns usuários espalhando para seus amigos a foto acompanhada do texto que segue abaixo (amplie a imagem para ler o texto). Resolvi publicar como um exemplo prático do que chamo de "Panóptico Social", uma vigilância permanente da sociedade sobre ela mesma, potencializada pelas redes sociais.


Não pretendo discutir a atitude do motorista do carro, ou da responsável pela publicação no Facebook. Quero apenas evidenciar que situações semelhantes acontecerão cada vez mais. Não precisamos mais de câmeras de vigilância. Nossas atitudes serão permanentemente vigiadas pela própria sociedade.

Não, não se trata de um modelo de estrutura social baseada no socialismo. Apesar das semelhanças, temos aqui uma nova estrutura, espontânea, colaborativa, em que as regras são estabelecidas de forma dinâmica. Não é uma estrutura necessariamente socialista, mas também não é necessariamente democrática.

Acredito que as consequências serão ainda maiores a cada nova geração. E quando as pessoas que nasceram já na época do Facebook tornarem-se pais? Como será a vida dos filhos vigiados pelas redes sociais? Desenvolvi essa ideia também num outro post, fica o convite para leitura: "Apps do Panóptico Social".




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[UPDATED 18/10/2011]  
Take This Lollipop

Hoje circulou pelas redes um site que faz o "mashup" de um vídeo com dados obtidos em sua conta do Facebook. A ideia é "brincar" com essa questão da exposição excessiva estimulada pelas redes sociais. Vale a pena participar da experiência interativa, acesse www.takethislollipop.com.