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Nissan Rappers? Não gostei. Não gostei mesmo.


Já disse antes: gerar "buzz" é o novo hype da publicidade. Não precisa ser uma ação exclusiva de mídias sociais. Seja o"jogo social" da Citroën no Facebook, ou o filme publicitário da Devassa com a Sandy Leah para a televisão, todos consideram alguma estratégia para estimular a propagação espontânea.

Porém "gerar repercussão" pode estar na moda, mas não é uma novidade. Campanhas como "Não é uma Brastemp" também já "planejavam" a repercussão. O que mudou hoje, é que a repercussão foi potencializada por conta da "era das redes sociais".

Mas tudo tem limite; e na minha opinião, o filme "Rappers" do Nissan Tiida passou desse "limite". Não gostei. Não gostei mesmo.

O que importa é que estão falando da minha marca.
Não gosto de quem pensa assim. Parece que a relevância e a qualidade do conteúdo não influencia o consumidor. Mentira.

Quem defende essa campanha, gosta de evidenciar os números de "views" no Youtube e os diversos registros no Twitter envolvendo a marca. Isso não basta.

Além do número de visualizações no Youtube, é interessante também fazer uma análise detalhada dos comentários publicados pelos usuários da rede. E no caso desse vídeo, é fácil notar uma porcentagem razoável de impressões negativas.

Ou seja, uma parte das pessoas que viram o vídeo não gostaram. E algumas delas inclusive se motivaram a publicar comentários no Youtube. Tente imaginar a repercussão negativa que esses números de "views" não estariam camuflando?

Quando li cada um dos comentários fiquei até com uma impressão de que alguns deles (publicados logo após um registro negativo), "exageravam" nos elogios ao produto e à campanha. Estranho, não?

Bom, enquanto escrevia esse post, o vídeo oficial foi retirado do ar. Não é mais possível ver o vídeo, nem ler os comentários da página no canal oficial da Nissan no Youtube. Uma pena.
(OBS: No final desse post fiz o "embed" do vídeo, porém publicado por outro canal no Youtube)



O que interessa é que o produto está vendendo.
Outro argumento que não gosto de ouvir. Publicidade séria não tem o objetivo único de vender. Publicidade séria também está preocupada com a qualidade da mensagem e em atingir um público específico.

Isso não significa que sou contra o humor e o conteúdo desse filme. Eles podem não me agradar, mas talvez eu não seja o público-alvo dessa campanha. Não é disso que estou falando.

O que me preocupa, é que aqueles que pensam apenas nas vendas do produto são os mesmos que fazem SPAM na internet. Propaganda sem conteúdo, sem segmentação, mas que vende. Sim, vende! Ou então o SPAM não existiria mais.

Porém a qualidade da publicidade é prejudicada. Sem conteúdo, sem criatividade e atirando para todos os cantos, enviando propaganda para quem não é consumidor potencial do produto.

Espero que não seja esse o futuro da publicidade brasileira.


Anúncio de comparação.
Não sou contra anúncio de comparação. Apenas acredito que é importante observar o limite ético que é muito sensível; e que nesse caso foi ultrapassado.

A forma como o filme foi construído, seu texto cheio de humor e ironia, mas também um tanto agressivo e pejorativo, foi além do que o público brasileiro costuma aceitar.

Há anúncios de comparação que são maravilhosos e cheios de humor. Você deve se lembrar, por exemplo, da campanha da Apple "I'm a Mac I'm a PC" que produziu dezenas de filmes publicitários:


Ou o sutil, também maravilhoso e bem humorado filme da Pepsi:


Esse último aparentemente foi tirado do ar. É muito provável que o mesmo aconteça com o "Nissan Rappers", e aí voltamos ao ponto inicial.

Não duvido que a agência de publicidade já esteja pronta para receber o comunicado do Conar, recomendado que o filme seja suspenso.

É possível inclusive que já exista outro filme já gravado, pronto para ir para a internet. Quem sabe outro rap, desta vez com cerca de 3 min, em que a letra da música brinca com a situação de ter sido banido da televisão. Afinal, o que importa é gerar buzz a todo custo, certo?




[ UPDATED ] Fato consumado. Logo depois que publiquei esse post, entrei no Twitter oficial da Nissan e havia um comunicado, publicado 10 minutos antes, avisando que a empresa havia acatado uma decisão do Conar e retirado da internet e da televisão o filme "Rappers".