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A era dos dispositivos móveis

Publicidade agora é conteúdo para “apps”.


Não fui eu. Foi um outro Eric, Presidente Executivo do Google, quem fez a afirmação: “a próxima plataforma de comunicação será o celular”.

Eric Schmidt disse isso durante o Festival de Cannes Lions 2011. Provavelmente ele pretendia oferecer o “insight” que publicitários do mundo inteiro foram buscar lá em Cannes.

No Brasil, a última pesquisa F/Radar publicada pela agência F/Nazca em dezembro/2011 aponta essa mesma tendência. Cresce, e cada vez mais, o uso do celular para troca de mensagens nas redes sociais.

Aonde isso vai parar? É a pergunta que nós, publicitários, devemos tentar responder. Como a mensagem de uma marca pode participar desse novo modelo comunicacional?

Antes de responder, vou desenhar um cenário provável: em breve poderemos instalar em nossos celulares aplicativos de tradução simultânea de voz. Você poderá conversar pelo celular com alguém de outra nacionalidade, cada um falando a sua língua natal. Imagine as distâncias sociais que foram encurtadas por conta desse único “app”.

Pois bem, a evolução das tecnologias de comunicação encurtam distâncias sociais. Havia um tempo em que era necessário planejar todos os detalhes antes de uma viagem; inclusive estudar o mapa local. Afinal, como se virar numa cidade em que você não entende o que está escrito nas placas de sinalização?

Hoje, viajar ficou bem mais simples. Você pode até entrar no avião sem mesmo planejar a viagem. Assim que pousar, basta pesquisar pelo celular os hotéis da região e procurar no mapa o melhor trajeto para chegar até lá. Seu celular, e os aplicativos de geolocalização, são um verdadeiro guia turístico.


Já no hotel, você pode consultar redes como o Foursquare, para pesquisar os estabelecimentos mais recomendados e escolher um restaurante ou um passeio turístico, indicado por outras pessoas que já estiveram por lá antes.

Caso seja difícil entender o cardápio do restaurante, ou uma placa de sinalização na rua, você pode recorrer ao “app” de tradução online. Em breve você também poderá instalar um aplicativo que fará a tradução de fotos tiradas com o celular. Mais fácil do que digitar o que está escrito no cardápio ou na placa de sinalização.

Pode parecer que andei vendo os filmes do George Lucas. Para quem precisa entender o futuro da comunicação, até que seria uma boa dica. Porém os mais antenados sabem que não ando vendo só ficção científica. Tudo o que falei já existe, ou são projetos em fase de desenvolvimento.

Concordo plenamente com meu xará. Você deveria começar a prestar mais atenção não só no celular, mas em todos os “dispositivos móveis”. Comece a notar como as pessoas interagem com o celular, o smartphone, o tablet e as dezenas de gadgets móveis disponíveis no mercado.


Veja o exemplo da Nike, que recentemente lançou o FuelBand. Um gadget que não só registra seu desempenho físico durante uma atividade, mas também compartilha com outros usuários da rede Nike Plus. Social Gaming. Compartilhamento de dados em benefício da venda de tênis e demais acessórios esportivos. E você aí, tentando conseguir uma boa ideia para um comercial de TV.

OK, exagerei. Televisão tem ainda seu papel, eu mesmo disse isso outras vezes. Contudo recomendo exercitar a imaginação. Tente visualizar como a comunicação pode se transformar com a introdução destes dispositivos móveis no cotidiano das pessoas e assim, esteja preparado para a mudança que isso tudo pode causar na publicidade.

Minha dica final: fique de olho em conceitos como “comunicação líquida” e “transmídia dinâmica”, propostas pela Coca-Cola. Se você ainda não ouviu falar nisso, vá atrás. Vale a pena.

São conceitos muito interessantes. Ao mesmo tempo em que são óbvios para os dias de hoje, também são inovadores. Para a Coca-Cola, a comunicação de uma marca deve fluir naturalmente em meio ao fluxo de informação que atravessa os diversos devices da sociedade conectada.

O desafio dos publicitários é descobrir como lançar sementes de informação, todas alinhadas com um mesmo discurso/conceito de campanha, que são proliferadas espontaneamente pelas pessoas, a partir de seus dispositivos comunicacionais. É preciso estar preparado para produzir não só a mensagem, mas também os aplicativos e os gadgets.



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Publicado originalmente na coluna da edição impressa do jornal Meio e Mensagem, ano XXXIII, núm.: 1499, pág. 10. São Paulo: Editora Meio e Mensagem, 05/03/2012.