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Smartphones e a acessibilidade

por Paula Zanardi (Mavens)


Que os smartphones revolucionaram a vida de seus usuários ao redor do mundo já se sabe. No Brasil as vendas no primeiro semestre de 2013 cresceram 86% em relação ao ano anterior. Marcas como a BlackBerry e outras mais novas em nossa praça, já se somam 70 milhões de aparelhos em circulação. O país é o quarto do mundo em número de telefones inteligentes, segundo a analista de Wall Street, Mary Meeker. Entre as mais diversas funcionalidades de um smartphone se destacam as facilidades para usuários com algum tipo de deficiência. Algumas marcas permitem ajustar as configurações do telefone de acordo com a necessidade especial do usuário, assim pessoas com deficiência cognitiva podem optar por um teclado intuitivo que prevê palavras, por exemplo.

Mas são os aplicativos desenvolvidos para este público que apresentam grandes soluções com simples ideias. Alguns destes programas ultrapassaram seus objetivos e são amplamente utilizados, como o aplicativo que transforma texto em voz adotado pelos sistemas de GPS.

Outros aplicativos são mais específicos: Um destes programas foi desenvolvido por um casal de cegos da Grã-Bretanha, como um cão guia virtual sinaliza objetivos procurados pelo usuário, por exemplo, o ponto de ônibus em que devem saltar. A iniciativa tem sido apoiada pelo governo do país, que treina pessoas para aprender a lidar com o software.

O governo do Japão lançou outra facilidade para cegos e pessoas com baixa visão. Um aplicativo que identifica as cédulas de dinheiro. Basta tirar uma foto da nota e o programa emite um aviso sonoro do valor da moeda.

O Parking Mobility é um aplicativo norte-americano, disponível para diversas plataformas, como Android, iOS e BlackBerry, que permite ao usuário denunciar diretamente às autoridades o uso irregular de vagas para deficientes. O usuário precisa tirar fotos da placa do carro, da indicação de vaga para deficientes e do para-brisa dianteiro que deve apresentar o selo indicador de carro adaptado. As fotos vão diretamente para as autoridades locais e, se autuado, parte da multa é encaminhada para uma instituição de caridade da escolha do usuário.

O Brasil também produz seus aplicativos para inclusão social. Está para ser lançado o Hand Talk, ferramenta que possibilita a comunicação entre surdos e pessoas que não se comunicam em Libras, a Língua Brasileira dos Sinais. O aplicativo é capaz de traduzir para esta língua sons e até textos fotografados ou digitalizados pelos usuários. Um avatar em 3D aparece na tela e gesticula o texto em Libras.

Algumas pessoas advogam que as novas tecnologias que mantêm as pessoas conectadas o tempo todo, acabam por empobrecer a comunicação interpessoal. Aplicativos como estes nos mostram que existe também o outro lado da moeda, uma geração de geniais idealizadores com grandes ideias para criar mais inclusão e acesso à cidadania, por uma vida independente.

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Contribuição da agência Mavens (Londres) para o blog e-Code. Artigo escrito por Paula Zanardi.