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A mídia somos nozes


É fato, somos menos dependentes dos veículos de massa para nos mantermos informados do que nossa geração anterior. E a tendência é que essa característica se evidencie ainda mais.

Aos poucos, as redes sociais mostram seu importante papel como espaços de comunicação para a sociedade da era digital. O Orkut nasceu como um lugar para apenas encontrar antigos amigos, mas logo a área "scrapbook" tornou-se uma importante ferramenta de comunicação.

O mesmo acontece com o Twitter. Surgiu como um lugar "sem propósito", para responder apenas "o que você está fazendo?", mas com o tempo, os próprios usuários começaram a modificar a proposta, e transformaram a rede num serviço útil para propagar informação de um usuário para outro, com grande velocidade e eficiência.

Tanto é assim que os mais jovens estão substituindo e-mail pela troca de mensagens nas redes sociais. E não é só o e-mail. O msn, o skype, o sms e o próprio celular; todos devem sofrer mudanças de aplicabilidade e propósito.

Mantendo o foco na questão da mídia, acredito que aprendemos a dar valor para o usuário comum e não apenas para os canais de massa. Isso aconteceu a partir de pequenas experiências de entretenimento, como os vídeos virais espalhados pelo YouTube.

O viral que inspirou o título deste post - "As arveres somos nozes" - não nasceu de um veículo de massa. Foi um vídeo publicado no Youtube, que ganhou fama a partir da propagação espontânea, promovida pelos próprios usuários da rede.

É portanto, um processo em evolução. E não chegamos ao fim dele. A evolução e as mudanças ainda devem continuar.

Mas já é possível perceber que hoje, não vivemos sob o modelo em que uma única mídia de massa fala com muitos, ao mesmo tempo. O novo modelo que começa a imperar hoje considera milhares de micro-mídias que falam com micro-públicos e compartilham diferentes informações entre si, de maneira colaborativa.

Um usuário comum da rede pode ser uma mídia. Ou seja, somos todos veículos de mídia para aqueles que estão ao nosso redor, fisicamente e virtualmente. E portanto, esse modelo não precisa ficar limitado ao ambiente digital.

As ações que envolvem mídias sociais se baseiam claramente nessa ideia de que existem consumidores influenciadores de pequenos grupos; e estas pessoas podem atuar como propagadores de mensagens carregadas de informações sobre determinada marca ou produto.

A moda já conhecia essa lógica há muito tempo. Nós sempre carregamos marcas e estampas em nossas roupas. E a moda nos fez ter orgulho e sentir prazer em carregar determinada logomarca em nossas roupas. Sempre fomos veículos de mídia para a moda.

Outras marcas já aprenderam a lição. A Red Bull, por exemplo, seleciona estudantes das principais universidades, em todo o mundo, para atuarem como propagadores da marca dentro das suas respectivas universidades. São responsáveis por observar e criar oportunidades para gerar uma ação de comunicação, ou simplesmente divulgar a marca através do tradicional boca-a-boca.

Assim sendo, alguns pontos devem ser considerados:



Nós somos a mídia. A mensagem publicitária está nas mão do consumidor.

As empresas não possuem mais o mesmo controle sobre suas marcas. São os próprios consumidores que atuam como veículos propagadores da marca. A mensagem ganha então um caráter mais informal, pessoal, assumindo inclusive eventuais erros e falhas de comunicação; pois afinal, são os próprios consumidores quem constroem a mensagem.


Nós somos a mídia. Os veículos de comunicação competem diretamente com seus próprio consumidores.

Quem anunciou a queda do Airbus A320 no rio Hudson em Nova York não foi um veículo de massa, mas o usuário do Twitter @jkrums. Mas claro, a mídia de massa tem seu valor, como por exemplo, servir como espaço para registrar e ampliar as informações sobre o acidente. [ver mais]


Nós somos a mídia. E não importa a quantidade de pessoas atingidas.

Muitos se preocupam com o número de seguidores no Twitter. O mais importante não é a quantidade, mas sim, quem afinal, são estes seguidores. Uma determinada marca pode optar por, ao invés de gastar muito para anunciar em um veículo de massa, criar uma ação de mídia social que procure atingir diretamente algumas dezenas de pessoas que são influenciadoras sociais de um grupo formado pelo público-alvo daquela marca.

Cada um desses influenciadores, ao propagarem informações sobre a marca para suas respectivas redes de relacionamentos, estarão divulgando esta marca com uma força de relevância e influência muito maior do que um anúncio na televisão.

Enfim, para concluir: nós, sem dúvida, somos a mídia desta nova estrutura de comunicação.


Créditos: ericmessa e cassimano.