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FOLHA x ESTADÃO: quando as imagens falam

A partir dos anos 90, a globalização ganha força e com ela intensifica-se uma estratégia de marketing particular: a concorrência pela aproximação.

Traduzindo: ao invés de buscar a diferenciação, o concorrente procura incorporar as mesmas características da marca líder de mercado, afim de conquistar o consumidor.

Os jornais também vivem essa mesma realidade. Quem acompanha por exemplo, a briga entre Folha de S. Paulo e Estado de São Paulo sabe que já é comum e frequente a publicação da mesma imagem na capa das edições dos dois jornais.


Acima aparece um exemplo das capas publicadas no dia 08/06/2009. Ambas tratavam do acidente aéreo ocorrido no dia 31/05/2009 com o airbus A330 da Air France (voo 447). Reparem que foi publicada exatamente a mesma foto! Não se trata de um caso isolado, na verdade os dois jornais coincidentemente passaram a publicar a mesma foto de capa com certa frequência.

Isso é consequência da própria globalização, citada anteriormente, que estimulou o crescimento das grande agências de imagens (e notícias) internacionais.

Quando o discurso da imagem é outro

Porém, nesse domingo (14/06/2009) ocorreu um caso inusitado que deve chamar a atenção daqueles que estudam comunicação e/ou semiótica.

Em ambas edições é comentado na capa os protestos ocorridos no Irã, no dia anterior, por conta da vitória de Mahmoud Ahmadinejad para a presidência do país.

Porém desta vez cada jornal ilustra a notícia com uma foto diferente.


Apesar dos dois jornais comentarem a agressividade e truculência da polícia iraniana, a FOLHA publicou a foto de um policial amparado por um manifestante, enquanto o ESTADÃO optou por mostrar a polícia avançando contra os manifestantes.

Ou seja, uma das fotos evidência o poder e truculência dos manifestantes, e a outra faz o mesmo, evidência o poder e truculência, mas desta vez, da polícia. Nenhuma delas deixa de retratar a realidade, porém proporciona diferentes interpretações ao leitor.

É nítida a diferença do discurso de cada uma das imagens, apesar de abordarem um mesmo fato. Fica aqui um bom exemplo de como um veículo de comunicação pode, de maneira sutil, manipular uma informação.