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#cparty: tecnologias de relacionamento


Entre as décadas de 80 e 90 um discurso muito comum falava sobre o estímulo ao individualismo promovido pela tecnologia computacional e o vídeo-game.

Atualmente já não utilizamos a expressão "tecnologia computacional". Até o termo vídeo-game é pouco utilizado pelos jovens gamers. Não é necessário ser nenhum teórico para saber que hoje a discussão foi ampliada. A noção mais difundida agora é a de que a sociedade por si só tem tendência ao individualismo e portanto, a tecnologia é mero reflexo.

Por outro lado, há ainda o instinto pela interação social. Somos animais sociais. E mais uma vez, a tecnologia reflete esse instinto. Se a tecnologia computacional da década de 80 isolava o homem, agora a era das redes sociais o coloca em um estado de super-exposição.

É preciso muita responsabilidade para lidar nesse ambiente. A semana da Campus Party 2009 foi um ótimo exemplo. Tudo o que era publicado (posts, fotos, vídeos, etc) sob a tag #cparty, foi divulgado no canal de LiveStream criado para o evento.

As opiniões dos espectadores sobre cada uma das palestras eram publicadas no Twitter e projetadas no painel logo atrás dos próprios palestrantes, tudo em tempo real! Centenas de fotos foram publicadas em portais como o Flickr. Eu provavelmente apareço em várias fotos que foram publicadas sem eu mesmo ter conhecimento!

Por outro lado, nunca participei de um evento em que a interação social fosse tão grande. Já participei de vários congressos. Em todos eu costumava rodar pelo evento sozinho, conhecia apenas alguns expositores, nada além disso.

Já na Campus Party, quem participou tenho certeza que teve uma experiência diferente. Impossível ficar só. O hype das redes sociais, o Twitter, era a ferramenta oficial de comunicação. Uma das frases que aparecia com frequência era: - Em qual bancada você está sentado?

Num dos dias fiz até uma pequena experiência; lancei no Twitter: "vou almoçar, alguém afim de comer também?". Em seguida recebi a resposta do Thiago Mobilon (@mobilon) que estava sentado logo atrás de mim. Porém se eu não tivesse comentado nada no Twitter, provavelmente teria almoçado sozinho. E enquanto estávamos lá, mais e mais pessoas apareceram para compartilhar a mesa do almoço.

E sem dúvida não fui o único. Imagino que muitas outras pessoas que participaram da Campus Party de 2009 tenham histórias semelhantes.