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Comprimido filma o interior do corpo

Jornal Diário do Comércio
Paula Cunha - Terça, 3 de Agosto de 2004

As cenas em que o dr. McCoy, na série Jornada nas Estrelas, ordenava que seus pacientes deitassem e passava um sensor do tamanho de uma caneta por elas e obtinha o diagnóstico ainda estão longe de acontecer, mas já existem equipamentos avançados que permitem diagnosticar algumas doenças do aparelho digestivo com precisão. Um comprimido com chip, composto de uma câmara e fonte de iluminação, produz mais de 50 mil imagens captadas por meio de sensores e enviadas para um gravador acoplado à cintura do paciente.
O médico gastroenterologista, Ronaldo B. de Oliveira, explica que a cápsula surgiu em 2000 e foi criada por técnicos israelenses, para reduzir o número de exames e de cirurgias para a obtenção de diagnósticos de doenças para se apurar a causa de sangramentos.

O comprimido tem dimensões de um centímetro de comprimento por oito milímetros de largura. Dentro dele, uma câmera capta imagens durante as oito horas que leva para percorrer o interior do organismo e as transfere para o gravador acoplado à cintura do paciente. Posteriormente, elas são descarregadas em um computador. Este último gera um filme digital cujas imagens são analisadas por um médico em um vídeo-monitor.

Segundo Oliveira, não há efeitos colaterais para o paciente, porque a cápsula é revestida com um material especial que não agride o organismo. A tecnologia não substitui a endoscopia, pois esta última é aplicada para se obter uma visão geral do estômago e este não é o objetivo da cápsula, que capta imagens do intestino delgado para localizar tumores e sangramentos.

Custos – A tecnologia é importada e os custos de implantação são "difíceis de engolir", pois são altíssimos: cada cápsula custa cerca de US$ 700. Já o equipamento de leitura, com gravador acoplado ao paciente, o software e o computador estão avaliados em US$ 40 mil. Por isso, só existem dez equipamentos completos em todo o País. Outro dado importante é que a cápsula percorre todo o intestino do paciente e é expelida naturalmente, sem ser reaproveitada para outro exame.