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A ética do Hyundai Azera


Este post foi publicado por sugestão de alguns alunos do curso de Publicidade & Propaganda, inconformados com a falta de ética do anúncio do carro Azera.

Realmente a Hyundai trouxe uma campanha agressiva para o lançamento do modelo Azera 2008. No comercial para televisão a mensagem diz que o Azera é “mais potente que um Mercedes-Benz Classe C, mais admirado que um Lexus 350 e mais espaçoso que um BMW Série 7″, e finaliza ao dizer que o mais impressionante é o preço.

Procurei refletir sobre o caso e também discutir com alguns amigos. Achei complicado, neste caso, prever o que pode acontecer caso essa campanha seja colocada em julgamento pelo Conar (Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária), pois há diversos tópicos a considerar, dentre eles:

- Não se trata de propaganda enganosa, pois provavelmente a Hyundai tem dados e pesquisas para confirmar as afirmações;

- É um anúncio comparativo, que geralmente esbarra em questões éticas e uma delas é evidenciar a marca concorrente;

- Citar o nome da marca concorrente pode não ser falta de ética, mas sem dúvida é visto, no mínimo, como um ato deselegante;

- Mas julgar a citação do nome do concorrente como impróprio e indevido é um risco grande para cair no campo da restrição da verdade;

- Obviamente o espaço para a verdade e a denúncia deve estar mais no jornalismo do que na publicidade, porém, a publicidade não pode se isentar completamente da verdade, ou então acabamos caindo na descrença completa;

- Penso que em época eleitoral, por exemplo, um candidato deveria ter a liberdade de fazer uma denúncia (comprovada, obviamente) em relação a seu concorrente, seja através de uma notícia jornalística como também de um anúncio publicitário.

- E por fim, acredito que seja completamente desnecessário a opção "panos quentes" em que o anúncio comparativo cita os concorrentes apenas com as iniciais do nome ou simplesmente como "concorrente X".

Deixo abaixo o comercial de TV para que você mesmo faça sua consideração: