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Vivemos em plena era da exposição

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Artigo publicado originalmente na minha coluna

do portal JumpExec em 14/01/2008

http://jumpexec.uol.com.br/index.php?sub=5&land=ler&idArtigo=1726
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Quem atua em qualquer campo relacionado à comunicação sabe a importância do conhecimento sobre a sociedade em que vive. É importante observar fatores cruciais, como o seguinte: se antes vivíamos a era da imagem, hoje esse conceito se desenvolveu para algo que podemos denominar como a era da exposição.

Foi a era da imagem que ressaltou uma valorização para a forma e o design. O metal e a madeira deram lugar ao plástico, material mais prático para modelar e criar produtos com design diferenciado.

Produtos semelhantes são vendidos a preços diferenciados por conta do seu design, mesmo que seja um caso sutil. Uma geladeira ou um computador são mais caros na cor preta do que em outras cores do mesmo modelo e marca.

Assim, a especificidade estética é sempre valorizada. Podemos ver esse processo ocorrer também nos meios de comunicação, seja em um programa para televisão ou um anúncio impresso. Nestes casos, esta preocupação estética envolve fatores como a composição e iluminação do cenário, a aparência dos atores, a edição das cenas, etc.

Mas hoje, com o advento das mídias digitais, vivemos uma evolução desse pensamento. O modelo de comunicação bi-direcional oferecido pelos meios digitais é o motor dessa evolução. Podemos construir um cenário rápido a partir do histórico de evolução da internet.

Já desde o início das operações comerciais da internet no Brasil (1995), ao ver a possibilidade de não apenas receber, mas também fornecer informação, o usuário motivou-se a criar o que ficou conhecido como a sua “home page pessoal”. Muitos tinham sua própria home page, mesmo sem saber ao certo o que publicar ali.

Mais tarde surgiram os blogs, modelo que prioriza a atualização permanente do conteúdo. Nesse momento muitos deixaram a home page de lado e partiram para o formato blog, porém essa troca não era condição necessária e viu-se com o passar do tempo que haviam aplicações próprias para cada formato.

Em meio a isso, por volta de 2004 começa a fase de popularidade das redes sociais. Surgem então portais de relacionamento como o Orkut, Myspace, Facebook, Last.fm, Pownce, Twitter, etc. Algumas com propósito temático definido, mas em geral, em todas o objetivo é montar o seu perfil, fornecendo o maior número de informações pessoais que achar adequado.

Chegamos então ao auge dessa exposição virtual. Hoje é possível manter gratuitamente na internet um site particular, um blog e um perfil em alguma rede social. Se antes os meios de comunicação não ofereciam uma forma para o receptor expressar sua opinião, hoje qualquer um pode captar esses dados espalhados pela internet e conhecer seus gostos, preferências, idade, região onde mora, etc.
O limite entre o público e o privado mudou. O que antes eram informações compartilhadas apenas entre os amigos mais próximos, hoje está publicado no perfil do Orkut. Há uma tendência clara para a auto-exposição.

E essa tendência não se limita aos meios digitais. Nessa mesma época em que a internet se desenvolvia, vimos surgir diferentes quadros de reality-show que fizeram grande sucesso na televisão.

Assim caminha também a publicidade, que apesar do apego aos modelos tradicionais, vem criando agora ações inovadoras que interagem com o consumidor. Não só através de estratégias que envolvem os meios digitais, mas também os meios tradicionais, como foi o caso, dentre outros, da promoção criada para a Doritos nos Estados Unidos, em que o consumidor foi convidado a produzir um comercial para o produto; e o melhor, eleito por votação no YouTube, foi veiculado na televisão, durante o intervalo do Super Bowl de 2007.

Ou seja, não basta mostrar o produto, é preciso interagir como ele, participar do processo e se possível, deixar a marca do consumidor.



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Artigo publicado originalmente na minha coluna

do portal JumpExec em 14/01/2008

http://jumpexec.uol.com.br/index.php?sub=5&land=ler&idArtigo=1726
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